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ENTREVISTA COM O DIRETOR DE ‘O BANHEIRO DO PAPA’ E ‘ARTIGAS – LA REDOTA’

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César Charlone

César Charlone é fotógrafo e cineasta, nascido no Uruguai, mas que vive há anos no Brasil. Começou sua carreira filmando comerciais e documentários, dali em diante não parou mais, trabalhando na fotografia de filmes como “Palace II”, “Cidade de Deus”, “O Jardineiro Fiel” e “Ensaio Sobre a Cegueira”. Dirigiu “O Banheiro do Papa” e agora “Artigas – La Redota”.

Nós do Cinema e Pipoca batemos um papo bem bacana com ele! Veja como foi!

Cinema e Pipoca: Fale um pouco sobre sua carreira, até chegar ao filme ‘Artigas La Redota’.
César Charlone: Eu estudei cinema em São Paulo, sempre gostei de fotografia e de arte. Era fotografo still (Still é uma expressão que se refere à fotografia de temas inanimados, fotografia parada, sem movimento) desde jovem e decidi estudar cinema aqui no Brasil, porque na década de 70 era um dos poucos lugares onde existia escola de cinema. Depois comecei a trabalhar na área em filmes comerciais, já que havia um certo preconceito quando o assunto era colocar estrangeiros recém formados em longas-metragens. Fui me destacando como diretor de fotografia e desenvolvendo trabalhos como diretor. Fiz um média metragem de conteúdo político em 1978, enfim, a história de minha carreira é longa, porque tenho 63 anos e quarenta e tantos de cinema. Fui também sub-diretor e fundador da Escola de Cinema de Cuba e a partir da época da retomada, voltei a trabalhar em filmes como “Cidade de Deus”, “O Jardineiro Fiel” e “Ensaio sobre a Cegueira”, trabalhos de Fernando Meirelles e paralelamente a isso dirigi “O Banheiro do Papa” e depois surgiu a oportunidade de fazer o “Artigas”.

CP: Qual a maior dificuldade na hora de tirar uma idéia dessas do papel?
CC: Esta é realmente a parte mais difícil de um filme e quando começamos a rodar o “Artigas” nós não estávamos 100% felizes com o roteiro. Pablo Vierci e eu ficamos mexendo e arrumamos a montagem também, que é um quesito que complementa muito a escritura do roteiro. Era um assunto complicado e a gente queria deixá-lo o mais aberto possível e isso é difícil de visualizar até aquelas idéias terem sido filmadas. Então eu filmei com várias possibilidades, vários caminhos e na montagem eu fui fechando isso de uma forma que me deixou bastante satisfeito.

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artigas
CP: Foi muito difícil conseguir apoio de investidores para o projeto?
CC: Foi difícil conseguir apoio de investidores para o projeto. Não tanto no Uruguai, porque lá o Artigas é uma figura muito importante, mas aqui no Brasil a gente não teve tanto sucesso. O Brasil, ao meu ver tem as “costas dadas” para a América Latina, então a história de um libertador uruguaio por aqui não é uma coisa que interessa muito.

CP: Nota-se no trailer, que vocês tiveram um tratamento todo especial com a fotografia. Onde foram feitas as locações e como decidiram que ali seria o local ideial para as filmagens?
CC: A imagem em se tratando de um filme de um pintor, que eu particularmente admiro muito, era muito importante que a fotografia transmitisse esta forma de trabalhar do Blanes, principalmente o figurino e a luz refletiam muito o estilo dele.
As locações foram feitas no Uruguai, em Taquarembo. Pedi ao assistente de locações que procurasse locais onde a natureza humana acabasse sendo mais importante.Eu não queria ver as árvores, queria ver os figurantes, ou seja, a natureza humana, que estariam logo atrás dos protagonistas e ali foi onde encontramos a maior diversidade étnica, pois haviam descendentes de índios, de negros, de espanhóis, de portugueses e etc.

banheiro do papa
CP: Sempre esteve na mente de vocês colocarem Yamandú Cruz e Jorge Esmoris como os protagonistas do filme? E como foi a preparação deles na hora de rodar as gravações?
CC: Os dois atores foram produtos de testes que fizemos de casting, muitas pessoas foram entrevistadas, tanto para o papel de Blanes como de Artigas e essa seleção era muito complexa, pois não era fácil escolher alguém para fazer Artigas e finalmente eu terminei escolhendo o Jorge porque era a pessoa mais carismática e a que mais refletia o Artigas que eu estava procurando.
Eu trabalho a muito tempo com Christian Durvourt, que é preparador de elenco e o conheci fazendo “Cidade de Deus” e trabalhamos também na mini-série da Rede Globo, “Cidade dos Homens”, então pedia a ele para vir para o Uruguai, fazer a preparação comigo, já que Christian conhece o estilo de interpretação de atores que gosto e na medida que eu estava acumulando direção, parte da fotografia e roteiro, eu precisava que alguém adiantasse a preparação do elenco e ele fez uma preparação muito linda tanto com o elenco principal quanto com o secundário. A Marina Medeiros que é a sócia dele, que fez a preparação em Taquarembo e me ajudou a criar personagens a partir das pessoas que encontrávamos.

CP: Como você vê essa evolução do cinema uruguaio no atual momento e quais os nomes dos diretores mais promissores do país em sua opinião?
CC: Estou um pouquinho desiludido com o caminho que o nosso cinema esta tendo, a relação dele com o público é desinteressante. Tenho amigos que tem trabalhado 3, 4 anos para fazer um longa metragem e terminam com 2000 espectadores. De fato o “Artigas” no Uruguai foi um sucesso e estou muito feliz com isso, mas as pessoas estão indo pouco ao cinema, estão preferindo grandes espetáculos, como o 3D, com muitos efeitos e o cinema mais autoral, mais pessoal está tendo menos espaço e eu estou vendo que o que está me interessando mais são as mini-séries, então nestes 2 últimos anos estou caminhando mais nesta direção.

cegueira
CP: Tem outros projetos engatilhados para um futuro próximo? Se sim, poderia nos falar um pouco sobre eles?
CC: Ano passado fiz direção de fotografia e criação de conceito fotográfico em duas mini-séries e estou muito feliz com o resultado. Uma delas se chama “Destino São Paulo” e a outra “Pedro e Bianca” e neste ano dirigi um episódio e co-roteirizei outro, numa mini-série que vai se chamar “Destino Rio de Janeiro”. Todo ano vamos de encontro a uma cidade diferente, espero que em algum momento possamos fazer Porto Alegre, que é uma história das imigrações pelo Brasil. Estou muito feliz em fazer parte disso tudo e sinto que estamos conseguindo chegar a um maior número de pessoas, estamos tendo uma resposta mais positiva do que no cinema, pelo menos momentaneamente. Mas claro que não estou fechado, claro que eu tenho projeto de filmes, claro que leio, como fotógrafo, roteiro de filmes, mas pelo momento estou voltado mais para as mini-séries.

Editor CP

ENTREVISTA E TOP CP – 7 FILMES RECENTES TIRADOS DE LIVROS INFANTIS

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Hoje, dia 02 de abril, comemoramos o Dia Mundial do Livro Infantil. O gosto pela leitora começa desde cedo e vale a pena os pais incentivarem sempre seus filhos e lerem juntos as mais variadas obras. Além da lista de filmes, que dá nome à postagem, segue uma entrevista com Christian David, autor de livros juvenis como ‘A Menina que Sonhava com os Pés’

– ONDE VIVEM OS MONSTROS (2009)

ONDE VIVEM OS MONSTROS 2009


Baseado no livro de Maurice Sendak, ‘Onde Vivem os Monstros’ é um filme que deve ser redescoberto o quanto antes. Há muito simbolismo para pontuar o rito de passagem da criança para a adolescência, sem contar a forma delicada com que o roteiro nos mostra a solidão e ao mesmo tempo, os subterfúgios criados pela mente da criança. Pequeno grande filme.

Saiba mais da lista e a entrevista especial sobre o Dia Mundial do Livro Infantil
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Entrevista com Rosane Svartman sobre a série Vicky e a Musa, que estreia hoje (19), no Globoplay

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Entrevista com Rosane Svartman

A partir de hoje (19), os assinantes do Globoplay poderão acompanhar as aventuras e descobertas dos jovens e adolescentes de Vicky e a Musa, com a estreia da primeira parte da temporada. Por isso, essa entrevista com Rosane Svartman (criadora e escritora do programa) é mais do que bem vinda!

Com direção artística de Marcus Figueiredo, a série mostra a importância da arte na vida das pessoas. “Todo mundo tem um filme que marcou a sua vida, uma música que lembra alguém especial, um livro que nunca esqueceu. Esta é uma série não só sobre quem faz arte, mas sobre como nós somos permeáveis a ela e à cultura como um todo, e como isso faz com que a gente se entenda nesse mundo e entenda melhor o outro. A arte nos faz humanos”, conceitua Rosane.

No primeiro musical criado e produzido pelos Estúdios Globo, se destacam os dilemas da adolescência – uma época em que “tudo parece o fim do mundo e, na verdade, é apenas o começo”, nas palavras da autora, e o amadurecimento dos jovens adultos, já que a trama passeia também por suas escolhas profissionais que se sobrepõem aos sonhos, pela entrada no mercado de trabalho, pelos relacionamentos que se transformam ao longo do tempo, entre outras questões.

Antes da entrevista com Rosane Svartman, vamos conferir a sinopse e o elenco da série!

Entrevista com Rosane Svartman
créditos: Globo / Estevam Avellar e Camila Maia

Sinopse de Vicky e a Musa

O fio condutor dessa história sobre o poder transformador da arte é Vicky (Cecília Chancez), uma jovem estudante cheia de sonhos, que sempre foi apaixonada por música e dança e tenta entender seu lugar no mundo com a chegada da adolescência.

Ela e Luara (Tabatha Almeida) sempre foram grandes parceiras, mas a relação das duas está abalada desde que Luara resolveu deixar a amiga de lado, sem qualquer motivo aparente, e passou a ignorá-la após a morte da mãe durante a pandemia de Covid-19.

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Cansada dessa vida solitária e reagindo às provocações de Luara, Vicky desabafa na praça do bairro e, enquanto suas palavras carregadas de sentimento são ditas no timbre mais forte de sua voz, uma brisa intensa levanta a poeira no local e chama a atenção de todos.

O significado disso nem ela mesma sabe, mas seu pedido de socorro está prestes a ser atendido por Euterpe (Bel Lima), a musa da música segundo a mitologia Grega e uma das figuras que mais chama sua atenção nas aulas lecionadas por Isa (Malu Rodrigues), irmã de Luara.

Com inúmeros artistas que se tornaram ícones da música graças aos seus encantos, a filha de Zeus chega à Terra trazendo apenas um propósito: inspirar Vicky para, através dela, arrebatar outras pessoas e, consequentemente, todo o bairro de Canto Belo.

Junto de sua chegada, uma aura de magia toma conta do local, sinalizando que algo muito poderoso está prestes a acontecer: conforme Euterpe caminha pelas ruas, ela inspira as pessoas com sua purpurina mágica, que cantam com ela a música “O Sol”, de Vitor Kley, no primeiro de muitos clipes que embalam a trama.

Assim, a deusa, que chega um pouco perdida porque não pisa no planeta Terra há muito tempo, se encanta pela vizinhança. Sem que ninguém saiba que ela é uma divindade, Euterpe tem papel fundamental na transformação de Canto Belo, já que enxerga nos indivíduos algo que eles mesmos não veem. Apesar da disposição e de estar munida de sua purpurina mágica do entusiasmo, a musa da música logo percebe que a tarefa não vai ser nada fácil.

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Para sua surpresa, e ao mesmo tempo, decepção, seu irmão Dionísio (Túlio Starling), deus do teatro, também volta à Terra. Com um jeito excêntrico e ao mesmo tempo atrapalhado, ele tem certa dificuldade de interagir com os humanos. Eles não compreendem suas piadas milenares e seu humor incomum. Dionísio vai provocar muita confusão e, algumas vezes resolver empecilhos, com seu dom de se transformar em outras pessoas.

É no teatro abandonado da região que os irmãos decidem se refugiar. E é, então, nesse lugar ‘sagrado’ que cada jovem envolvido no processo transformador de Canto Belo vai se reconectar com a sua essência ao longo dos episódios. Um efeito cascata terá início com a chegada dos deuses, por meio da arte, e vai propor aos personagens uma jornada de reencontro consigo mesmos e de reconexão em suas relações sociais.

O elenco da série

O elenco da série, cuja segunda temporada tem previsão de estreia em dezembro, tem nomes conhecidos do público nas redes sociais, teatro, cinema e da TV. Além de Cecilia Chancez, Tabatha Almeida, Bel Lima e Túlio Starling, o musical conta ainda com Nicolas Prattes, João Guilherme, Cris Vianna, Dan Ferreira, Jean Paulo Campos, Malu Rodrigues, Hilton Cobra, Pedro Guilherme Rodrigues, Leticia Isnard, Manu Estevão, entre outros. Os episódios finais da primeira temporada chegam ao Globoplay no dia 26 de julho.

Entrevista com Rosane Svartman
créditos: Globo / Estevam Avellar e Camila Maia

Então, sem mais delongas, vamos para a entrevista com Rosane Svartman.

Entrevista com Rosane Svartman

Como descreve a série ‘Vicky e a Musa’ e os elementos que funcionam como fio condutor da história?

  • Rosane: ‘Vicky e a Musa’ é uma série que valoriza a arte e a cultura, e mostra como isso pode transformar pessoas e como pessoas transformam territórios. Não é uma história apenas sobre quem faz arte, mas sobre como nós somos permeáveis à arte e cultura, e como isso faz com que a gente se entenda nesse mundo e entenda o outro. Arte é também empatia. Em ‘Vicky e a Musa’, o território também é protagonista, além das pessoas que vivem ali. Ao longo da trama, Canto Belo se transforma, assim como suas personagens. Mas Vicky (Cecilia Chancez) tem extrema importância nesse processo, ela é o fio condutor. É a personagem que sente falta de alguma coisa naquele lugar que nem sabe direito o que é e, sem querer, chama a musa da música. E é a partir da chegada de Euterpe (Bel Lima) que as pessoas e o território são transformados através da arte.

De que forma o gênero musical influencia na escrita da obra?

  • Rosane: Influencia muito, porque as músicas precisam ajudar a contar a história e a retratar aquele momento de cada personagem. Acredito que o cancioneiro brasileiro é muito rico e viaja o mundo. Temos artistas incríveis, uma diversidade muito bacana e nós da equipe de roteiro e pesquisa tentamos trazer isso para a série, com músicas de várias épocas e gêneros, mas que precisavam caber na narrativa.

O Teatro Parnasus é um dos principais cenários da série. Qual é a importância desse lugar para a trama?

  • Rosane: O teatro começa abandonado até que os jovens o ocupam com a inspiração dos deuses da arte, e, à medida que vão se transformando e transformando o teatro, eles entendem que a arte vai além daquelas paredes e cadeiras.

E a última questão da entrevista com Rosane Svartman é: o que o público pode esperar de ‘Vicky e a Musa?

  • Rosane: Espero que o público se inspire. Acho que ‘Vicky e a Musa’ faz a gente pensar sobre o nosso cotidiano, sobre a nossa realidade e como a arte está presente em nossas vidas. Espero que seja uma série lembrada também por alegrar a vida das pessoas.

E então, o que achou dessa Entrevista com Rosane Svartman sobre a série Vicky e a Musa?

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Entrevista com Ivo Lopes Araújo, diretor de fotografia do longa “Casa Vazia”

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casa vazia Ivo Lopes Araujo credito arquivo pessoal

O Cinema e Pipoca recebeu um material exclusivo, com uma entrevista com Ivo Lopes Araújo, um dos mais aclamados diretores de fotografia da atualidade no país. O cearense ajustou o foco e enquadrou as cenas de recentes sucessos do cinema brasileiro, como GirimunhoTatuagemGreta. Também integrou a equipe do internacionalmente premiado Bacurau

O mais novo trabalho do fotógrafo é o longa-metragem Casa Vazia, que chega aos cinemas neste fim de semana em São Paulo, Campinas, Porto Alegre, Natal, Palmas e no Rio de Janeiro. Por esse filme, Ivo conquistou um Troféu Redentor, no Festival de Cinema do Rio de Janeiro em 2021, e um Kikito, no Festival de Gramado no ano passado.  

Rodada em Santana do Livramento (Rio Grande do Sul) e Rivera (Uruguai), a produção aborda o empobrecimento da população em áreas agrícolas marcadas pelo avanço da tecnologia e das desigualdades sociais.

Dirigido por Giovani Borba e definido como um neo-western pela revista Variety, o filme explora uma linguagem híbrida entre ficção e documental e tem como protagonista um não-ator, Hugo Noguera, que é um ex-peão de estância.

Entrevista com Ivo Lopes Araújo
Cartaz Casa Vazia

Confira a entrevista com Ivo Lopes Araújo, sobre o longa Casa Vazia

Casa Vazia foi sua estreia em um filme rodado no pampa gaúcho. Como foi essa experiência?

Ivo: Foi a primeira vez que eu filmei nos pampas gaúchos. Foi incrível porque tem uma luz muito suave. Então durava horas do dia aquela luz suave. Tudo fica muito colorido. Os contrastes ficam certinhos, é uma paisagem incrível mesmo. Mas acho que a paisagem é usada a serviço do filme. E aí tem um trabalho que eu acho que é coletivo. Pra mim, foi um privilégio estar filmando nesse lugar, nessa época, e pra contar essa história. Tudo estava casando muito bem.

Como foi transpor para a tela a imensidão dos campos e essa sensação de vazio que permeia toda a trama? 

Ivo: É impressionante como a natureza é forte na imagem. Ela traz tantas sensações. Acho que é nosso inconsciente, nossa memória ancestral que faz com que a gente se relacione com aquilo num lugar muito poderoso. É impressionante como, dependendo da história que se cria, da trama, você pode ter uma sensação de plenitude com a natureza, de solidão. Então, ela amplifica o gesto humano e o que a dramaturgia tá contando. No caso desse personagem silencioso e desse vazio que o filme cria, a natureza é usada para expandir isso, levar para um lugar maior. E funciona muito bem. O que poderia ser uma paisagem bucólica, se torna uma paisagem quase opressora pela sensação de solidão e de vazio que o personagem tá vivendo. É bem interessante o uso da natureza para tornar esse sentimento maior.

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casa vazia Credito Panda Filmes
Crédito: Panda Filmes

Você conquistou um Troféu Redentor e um Kikito com Casa Vazia. Em diversas cenas, a fotografia parece ser a única personagem que dialoga com o protagonista. Essa foi a sua intenção?

Ivo: É bem importante entender que o trabalho de composição da imagem do filme e a forma como ela ajuda na dramaturgia não é um trabalho só do fotógrafo. É um trabalho do diretor de arte, a escolha das locações, o figurino que o ator tá usando numa uma paisagem verde, o próprio ator, a entrega dele, o diretor que tá arquitetando tudo isso. Fico muito lisonjeado com os prêmios de fotografia. Mas é muito importante expandir e entender como essa paisagem natural e essas imagens se tornam poderosas.

É o trabalho de uma equipe toda, a equipe de fotografia, que tá ali junto iluminando, pensando os movimentos, trabalhando o foco, fazendo a imagem se constituir fisicamente mesmo. Não só os elementos de conceito, mas a mão na massa. A câmera estar no lugar certo, os movimentos de câmara, os travellings. Tem um trabalho de botar a mão na massa e materializar a imagem. E que o fotógrafo também não faz sozinho.

E quais são os seus próximos projetos?

Ivo: Tem um filme que foi rodado ano passado na África entre Mauritânia e Guiné Bissau, dirigido por um realizador português, Pedro Pinho. Amanhã será outro dia é um filme enorme, nunca tinha participado de uma produção tão grande. Foram vinte semanas de filmagem, um roteiro muito grande e uma história muito interessante.

Eu tô bem curioso e ansioso pra ver esse filme pronto e na tela. Tô agora em fase de finalização e colorização do filme dirigido pela Clarissa Campolina e pelo Sérgio Borges, que se chama Fera na Selva. Também foi um grande prazer trabalhar de novo com esses realizadores.

E então, o que achou dessa entrevista com Ivo Lopes Araújo? Comente com a gente em nossas redes sociais!

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