Críticas
47 Ronins, um projeto fadado ao fracasso

Os ocidentais nunca entenderam, de fato, a cultura Oriental, seja na gastronomia, na música, nas vestimentas, nos desenhos animados ou no cinema. E 47 Ronins trata de algo muito particular deles: os samurais e a doutrina do bushido (quando o samurai perde seu mestre e deve cometer suicídio ou viver como ronin).
A saga de Kai e companhia tem uma linda fotografia e a utilização de cores muito impactantes, mas ao tentar agradar todos os espectadores, o desconhecido diretor Carl Rinsch insere, além da ação com boas coreografias de luta, um romance sem química nenhuma, além de um drama afetadíssimo.
O projeto era um sonho de consumo de Keanu Reeves (do ótimo De Volta ao Jogo), mas teve tantos problemas com estouros de orçamento e atrasos nas filmagens, que seria quase impossível finalizar 47 Ronins sem grades equívocos, ainda mais ao vermos certas licenças poéticas aqui e ali – lê-se monstros e magias – exploradas com tão pouco vigor. Para se ter uma ideia, o filme foi orçado em 175 milhões e arrecadou 147.

Pôster do filme
Pode haver um estranhamento ao notar os japoneses falando inglês, mas tudo isso tem haver com a adequação do mercado, ou seja, a preguiça dos norte-americanos ao assistirem filmes legendados é tão grande quanto as motivações da vilã, que é vivida por Rinko Kikuchi (que extrapola nas caras e bocas). Vamos deixar os orientais homenagearem suas próprias obras, enquanto isso, ficaremos com a função básica de apreciadores.
Sinopse de 47 Ronins:
Kai é um jovem guerreiro que nunca foi aceito pelo lorde Asano, chefe dos samurais, por ser um mestiço. Um dia, Tsunayoshi visita o local onde Kai vive e trama uma emboscada contra Asano, juntamente com lorde Kira e uma feiticeira. Agora o jovem deverá lutar com todas as suas forças para livrar seu povo deste mal e, assim, mostrar sua força a todos.
Título Original: 47 Ronin
Ano Lançamento: 2013 (Estados Unidos)
Dir: Carl Rinsch
Elenco: Keanu Reeves, Tadanobu Asano, Rinko Kikuchi, Hiroyuki Sanada, Kou Shibasaki, Cary-Hiroyuki Tagawa, Jin Akanishi, Rick Genest
ORÇAMENTO: 175 Milhões de Dólares
NOTA: 3,0
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Críticas
7 Caixas | Vale a pena assistir?

Em um panorama cinematográfico muitas vezes dominado pelos blockbusters de Hollywood, onde produções milionárias e efeitos especiais muitas vezes ofuscam a essência do cinema como forma de expressão social e política, obras como 7 Caixas surgem como um respiro necessário.
Lançado em 2012 e dirigido por Juan Carlos Maneglia e Tana Schembori, este é um verdadeiro achado do cinema latino-americano — e mais especificamente, um marco na cinematografia paraguaia. Ao apostar em um thriller de ritmo ágil ambientado no coração de Assunção, temos as camadas de desigualdade, ambição e sobrevivência urbana com um frescor raro e um realismo.
O que faz de 7 Caixas uma obra tão marcante?
O que faz de 7 Caixas uma obra tão envolvente não é apenas o enredo, que mistura elementos de suspense, ação e drama social, mas a forma como tudo é conduzido. Maneglia e Schembori utilizam a câmera como extensão do olhar nervoso de Victor, criando uma tensão crescente com ângulos ousados e cortes rápidos que remetem ao dinamismo dos jogos de videogame.
A trilha sonora acompanha esse ritmo com batidas eletrônicas que lembram, em muitos momentos, games de ação, reforçando o senso de urgência e a atmosfera frenética do mercado. Esse estilo visual quase hiperativo não só prende a atenção do espectador, mas o insere no labirinto sufocante que é o Mercado 4 — um microcosmo do caos capitalista que marginaliza muitos para favorecer poucos.
Elenco de 7 Caixas é um achado
O elenco é outro ponto de destaque, sobretudo Celso Franco, que entrega um Victor com a dose certa de ingenuidade, ambição e desespero. É fácil se identificar com ele, especialmente para quem conhece a realidade das grandes cidades latino-americanas.
A escolha de abordar o “suspense das 7 caixas” por meio de um thriller permite que a crítica social se desenvolva de forma orgânica. Questões como desigualdade econômica, imigração, corrupção e a busca desenfreada por status estão presentes, mas nunca de forma panfletária.
O espectador se vê envolvido pela trama e, quase sem perceber, mergulha nas complexidades da vida urbana paraguaia. As caixas, aliás, funcionam como uma metáfora poderosa — o conteúdo escondido simboliza aquilo que a sociedade tenta esconder: violência, exploração, e os riscos de um sistema que empurra jovens como Victor para o limite da legalidade.
Outro tema que ressoa fortemente é a obsessão contemporânea pela visibilidade. Victor sonha em aparecer na TV, em ser reconhecido, e esse desejo por “15 minutos de fama” guia algumas de suas escolhas mais questionáveis. É impossível não ver aqui uma crítica sutil à cultura da imagem, às redes sociais e ao espetáculo midiático que transforma qualquer drama humano em entretenimento.
Se há algo a questionar no filme, talvez seja a forma como ele, por vezes, se entrega demais à lógica do entretenimento, com reviravoltas que beiram o exagero. Ainda assim, isso não diminui seu impacto. Pelo contrário, mostra como é possível fazer cinema de gênero com inteligência e consciência social, mesmo com poucos recursos. O orçamento limitado não é obstáculo, mas motor criativo, gerando essa máxima capacidade de entregar emoção, crítica e ritmo com uma simplicidade quase artesanal.
Onde assistir a 7 Caixas
O filme está disponível gratuitamente no PLEX.
Sinopse de 7 Caixas
A história gira em torno de Victor, um jovem carreteiro que trabalha no Mercado 4 — uma espécie de mercadão popular lotado, caótico, mas vibrante. A rotina do protagonista é simples: empurrar um carrinho e carregar mercadorias para os clientes em troca de alguns trocados.
Como tantos outros jovens em economias periféricas, Victor vive à margem do sistema, flertando com a informalidade e alimentando um sonho distante de reconhecimento e fama. É justamente esse desejo que o leva a aceitar uma proposta inusitada: transportar 7 caixas misteriosas por um trajeto aparentemente curto, sem fazer perguntas.
O que parece um trabalho fácil logo se transforma em uma corrida de vida ou morte, à medida que o conteúdo das caixas revela uma natureza sombria e perigosa.
Nota: ★★★★
Título Original: 7 Cajas
Ano Lançamento: 2012 (Paraguai)
Dir: Juan Carlos Maneglia, Tana Schembori
Elenco: Celso Franco, Víctor Sosa, Lali Gonzalez, Nico García, Mario Toñanez, Nelly Davalos
Críticas
Anos Incríveis (1ª temporada) | Vale a pena assistir?

É impressionante como existem programas que marcam nossas vidas. Para mim, Anos Incríveis (1ª temporada) pode entrar numa seleta lista que conta com Conta Comigo, Os Goonies, Garotos Perdidos, os desenhos animados Doug, Cavaleiros do Zodíaco e tantos outros.
Exibido na TV Cultura, foi criado por Carol Black e Neal Marlens (dupla que esteve a frente da refilmagem de 2021) e tinha um elenco afiadíssimo – falaremos de cada um deles abaixo. O roteiro trata não só do sonho americano, mas também de como uma família comum lidava com seus dilemas nas décadas de 1960 e 1970 e com conquistas como: o homem chegando à Lua, a Guerra do Vietnã, o movimento hippie e outros pontos que são excelentes planos de fundo.
Frente a tudo isso, conhecemos o garotinho Kevin Arnold, que detalha seus pensamentos, medos e frustrações em diversas narrações em off que dão charme a estes 6 episódios. Logo no piloto, fala-se sobre a perda de alguém jovem, no caso, o irmão de Winnie Cooper, em seguida, lá pelo terceiro episódio, temos Kevin indo na empresa de seu pai para compreender o que ele faz (a proximidade deles aumentando é emocionante). Some isso com o primeiro beijo do jovem casal, a amizade dele com Paul e as brigas e diferenças com seus irmãos e esse ciclo perfeito se fecha.
Elenco de Anos Incríveis
No elenco fixo da série, temos:
- Fred Savage, como o jovem Kevin Arnold, que começa a compreender melhor o mundo e tudo de bom e ruim que há nele. Dan
- Dan Lauria, como Jack Arnold, o patriarca da família e um homem extremamente comum daquela década, que trabalha e volta para casa e já aceitou que alguns sonhos não serão realizados por conta de algumas escolhas.
- Alley Mills, como Norma Arnold, e a cena em que pergunta a ela se está frustrada na vida, é algo impactante, mas que é tratado com carinho.
- Danica McKellar, como Winnie Cooper, a química dela com Fred é impressionante e tem a docilidade de uma garota, nunca sendo apenas uma coadjuvante qualquer.
Além destes, Jason Hervey como Wayne Arnold e Josh Saviano com Paul Pfeiffer.
A fotografia não enche os olhos, mas há uma ótima reconstrução de época. Porém, pegue a trilha sonora e coloque em seu Spotify, pois é algo sublime e que dialoga com cada episódio. Por fim, são poucos episódios em Anos Incríveis (1ª temporada), mas que carregam em si, nostalgia, alegrias, dores, perdas e conquistas que são compreendidos universalmente e em qualquer época. Obra prima!
Onde assistir Anos Incríveis (1ª temporada)
O seriado não está em nenhum streaming, mas é possível conferir os episódios se procurarem no YouTube, de forma não oficial.
Sinopse de Anos Incríveis (1ª temporada)
Kevin Arnold, um adolescente prestes a se tornar um homem adulto, acompanhado de seu melhor amigo Paul e, às vezes, de sua namorada Winnie, experimentando todos os tipos de traumas e emoções da vida. Enquanto se passam as histórias, os acontecimentos são narrados por um Kevin mais velho e experiente, que descreve o que acontece e conta o que aprendeu de suas experiências.
Nota: ★★★★★
Título Original: The Wonder Years
Ano Lançamento: 2025
Criadores: Carol Black e Neal Marlens
Elenco: Fred Savage, Dan Lauria, Alley Mills, Danica McKellar, Jason Hervey e Josh Saviano
Críticas
Faça Ela Voltar: Um dos melhores terrores de 2025

É impressionante como Danny e Michael Philippou, irmãos que são as mentes criativas por trás de Faça Ela Voltar, são inventivos dentro do gênero do terror. Primeiramente, haviam trazido ao mundo Fale Comigo, que tinha sacadas super diferentes quando o assunto era possessão – não só pelo uso daquela mão embalsamada, mas por todos os outros contextos.
Aqui, lidamos com isso em menor grau, mas com inúmeros outros fragmentos que saltam aos olhos. Há uma tensão pungente e crescente e a forma com que tratam o luto – e a não aceitação dele – é quase palpável, e vou explicar os motivos logo abaixo:
Laura, interpretada pela excepcional Sally Hawkins (A Forma da Água), perdeu a filha há pouco tempo e nós, logo de cara, percebemos que ela não se recuperou totalmente. Contudo, cria um ambiente propício para receber dois irmãos que também passaram por traumas extremamente relevantes. Estes são Piper e Andy (Sora Wong e Billy Barratt, respectivamente) e que terão tratamentos bem diferentes dessa nova cuidadora.
Faça Ela Voltar e os caminhos para um grande filme
Eu estava torcendo para que os diretores não caíssem em jumpscares baratos e, graças a expertise da dupla, isso não ocorreu. O roteiro joga migalhas para colocar inúmeros pontos de interrogação na cabeça dos espectadores (uma porta trancada aqui, um garoto que parece deslocado do ambiente ali e marcas no chão acolá) e vai encaixando-as e ampliando o nível de brutalidade e de cenas gráficas impactantes.
Não existe o tom anárquico de Fale Comigo e há uma ou outra facilitação, mas nada tira o peso e a densidade da deterioração daquela casa e daquelas pessoas. A fotografia ajuda a contar a história, com tons avermelhados e as simbologias resgatam aquilo que centenas de projetos tentam e não conseguem, ou seja, mostrar que há uma porta para o desconhecido e que é bom a gente passar longe delas. Ao lado de Pecadores e A Hora do Mal, Faça Ela Voltar prova que os fãs do terror seguem com um sorriso de orelha a orelha.
Onde assistir a Faça Ela Voltar
O filme está disponível em todas as redes de cinema do Brasil
Sinopse de Faça Ela Voltar
Um irmão e uma irmã passam por algo que mudará suas vidas para sempre. Ao se mudarem para uma nova residência, com uma mãe adotiva, descobrem um ritual aterrorizante nessa casa isolada.
Nota: ★★★★½
Título Original: Bring Her Back
Ano Lançamento: 2025
Dir.: Danny Philippou e Michael Philippou
Elenco: Billy Barratt, Sally Hawkins, Jonah Wren Phillips, Sora Wong
Curiosidades de Faça Ela Voltar
- A atriz Sora Wong nunca havia atuado profissionalmente antes do filme.
- A mãe de Wong encontrou um anúncio de elenco na rede social, que buscava uma jovem com deficiência visual.
- Wong nasceu com coloboma e microftalmia, o que a deixou cega do olho esquerdo e com visão bastante limitada no direito.
- Sally Hawkins dispensou dublês e realizou suas próprias cenas de risco.
- Os irmãos Philippou estavam cotados para dirigir uma adaptação de Street Fighter em 2023, mas desistiram para se dedicar totalmente a este filme.
- A produção foi inspirada no subgênero “psycho-biddy horror”, que mistura suspense psicológico e personagens femininas intensas.
- Todo o longa foi rodado em apenas 41 dias.
- Este é apenas o segundo longa-metragem da carreira dos irmãos Philippou.
- A escalação de Wong trouxe visibilidade para pessoas com deficiência visual no cinema.
- O elenco relatou que a dedicação de Wong inspirou a equipe durante as filmagens, tornando a experiência ainda mais marcante.
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