
Bohemian Rhapsody carrega o peso de retratar uma das figuras mais icônicas da música, e talvez por isso já nasça envolto em expectativas difíceis de atender. Freddie Mercury sempre foi sinônimo de extravagância e talento incomparável, o que leva qualquer adaptação para um terreno delicado. A direção, inicialmente assinada por Bryan Singer (X-Men – Dias de um Futuro Esquecido) e posteriormente assumida por Dexter Fletcher, consegue entregar um produto coeso, ainda que pouco ousado.
O grande destaque, sem dúvida, é Rami Malek, mas apesar de conseguir ótimos momentos com olhares e performance, não sei até onde isso não é uma caricatura do cantor. Mesmo assim, é uma atuação que sustenta o filme e até justifica o reconhecimento que recebeu, vencendo o Oscar de Melhor Ator. Ao seu lado, o restante do elenco parece não ter a devida importância, assim como os personagens secundários, especialmente ligados à indústria musical, que soam artificiais e acabam quebrando a imersão em vários momentos.
Bohemian Rhapsody funcional, mas mediano
Em termos emocionais, o filme funciona — sobretudo em seu terceiro ato, que entrega um clímax envolvente e visualmente bem construído. Ainda assim, o roteiro peca por sua abordagem excessivamente quadrada. Os conflitos internos da banda são tratados de forma superficial, frequentemente interrompidos por cortes abruptos ou inserções musicais que evitam um aprofundamento mais complexo (parece, em certo ponto, que a banda quase não rivalizava).
No fim, Bohemian Rhapsody é uma cinebiografia eficiente, mas previsível. Não acrescenta muito ao que já se sabe sobre a trajetória de Freddie Mercury e do Queen, preferindo o caminho mais confortável ao invés de arriscar. Ainda assim, vale a experiência — especialmente pela performance do final —, mesmo que deixe a sensação de que poderia ter ido além.

Sinopse de Bohemian Rhapsody
Depois de entrar em uma banda que fazia shows em bares noturnos, Freddie Mercury e seus novos companheiros formam a banda Queen, que revolucionou a música na década de 70. As alegrias e dificuldades, extravagâncias e paixões, também vem como um turbilhão na vida do astro, mas como lidar com tudo isso?
Título Original: Bohemian Rhapsody
Ano Lançamento: 2019 (Estados Unidos/Reino Unido)
Dir: Bryan Singer, Dexter Fletcher
Elenco: Rami Malek, Lucy Boynton, Gwilym Lee, Ben Hardy, Joseph Mazzello, Aidan Gillen, Tom Hollander, Mike Myers
ORÇAMENTO: 52 Milhões de Dólares
NOTA: 5,0
INDICAÇÕES AO OSCAR: Melhor Filme / Melhor Ator / Melhor Mixagem de Som / Melhor Edição de Som / Melhor Montagem



