A Vizinha Perfeita é um dos cinco filmes indicados para o Oscar 2026 na categoria de Melhor Documentário e, talvez, aquele que tenha mais chances de vencer. Eu ainda não conferi os outros, mas por conta de ser um ativo da Netflix, muitos espectadores já conseguiram assistir e os votantes também, certamente. Contudo, isso não tira a força e o poder narrativo por aqui, principalmente por se tratar de um true crime que tenta se distanciar daquele padrão comum.
Não temos reconstruções com atores, até porque, essa sequência de situações incompreensíveis e desumanas que vão se acumulando até culminar num desfecho acachapante, utiliza, para compor a trama, as câmeras dos policias ou de câmeras de segurança das casas e ligações reais dessas pessoas envolvidas com os agentes, aumentando o impacto quando as coisas acontecem.
A diretora Geeta Gandbhir, que tem em seu currículo episódios de séries e minisséries para televisão, como Katrina – Depois da Tempestade, organiza e faz uma curadoria de todo o material e isso é algo impecável. Existe até a preocupação de nos mostrar que as crianças estão fazendo o que crianças fazem, ou seja, não são santas, mas também não merecem aquele tratamento.
A Vizinha Perfeita e a diferença de tratamento para brancos e negros
Acontece que a senhora branca que matou uma mulher negra é tratada com todo cuidado pelos policiais. Mas será que se fosse o contrário, isso se seguiria da mesma forma? Enquanto Ajike Owens e tantos outros morrem, seja pelas mãos de pessoas como Susan Lorincz ou sofrem com a truculência daqueles que deviam protegê-los, ainda há um presidente e um movimento que teima em segregar e diminuir negros, latinos e tantos outros.
E depois dos pouco mais de 90 minutos, não temos respostas fáceis – Lorincz pegou 25 anos de prisão. A Vizinha Perfeita sugere este debate real e racional, pois a família de Owens não a terá de volta, não poderá abraçá-la, não poderá ter o carinho e o amor dela no dia a dia. E não me entenda mal, não falo de pena de morte, porque isso não funciona, mas, num mundo ideal, não seria possível normalizar este racismo institucional tão abertamente propagado, pois isso só faz com que a sociedade permaneça doente e inconsequente.
Onde assistir A Vizinha Perfeita?
O filme está disponível na Netflix.
Sinopse de A Vizinha Perfeita
Um pequeno desentendimento entre residentes da Flórida toma um rumo letal, com imagens de câmeras corporais da polícia e entrevistas investigando as consequências das polêmicas leis estaduais de “defenda sua posição”.
Nota: ★★★★
Título Original: The Perfect Neighbor
Ano Lançamento: 2025 (Estados Unidos)
Dir.: Geeta Gandbhir
Entrevistados: Susan Lorincz, Ajike Owens, Franklin Baez-Colon, Michael Balken, Troy Campbell, Pamela Dias
Curiosidades de A Vizinha Perfeita
- A diretora Geeta Gandbhir revelou que existe filmagem da câmera corporal da polícia mostrando as tentativas de reanimar Ajike. No entanto, ela optou por não incluir essas imagens no documentário A Vizinha Perfeita para evitar um tom exploratório e sensacionalista, buscando equilíbrio emocional e respeito à vítima.
- Ajike Owens era melhor amiga da cunhada da diretora Geeta Gandbhir, o que trouxe uma dimensão pessoal e emocional ainda mais profunda para a produção.
- Em novembro de 2024, Dias e a amiga de Owens, Takema Robinson, anunciaram a criação do Standing in the Gap Fund, em homenagem a Ajike.
- O fundo Standing in the Gap tem como meta arrecadar mais de US$ 3,5 milhões até 2030, com o objetivo de apoiar famílias que enfrentam perdas semelhantes.
- O fundo foi criado para ajudar famílias que sofrem perdas traumáticas e não sabem como lidar com as consequências emocionais, legais e financeiras após o ocorrido.
