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2ª temporada de Cidade de Deus vai além da violência e mergulha nas relações entre crime e política

A 2ª temporada de Cidade de Deus: A Luta Não Para chega à HBO Max em 8 de novembro, prometendo expandir o universo apresentado pelo filme brasileiro lançado em 2002.

Durante a coletiva de imprensa da nova temporada, em que o Cinema e Séries esteve presente de maneira online, estavam Kiko Marques, Aly Muritiba, Andrea Barata Ribeiro, Vanessa Miranda, Andrea Horta, Sabrina Rosa, Alexandre Rodrigues, Roberta Rodrigues e Matheus Nachtergaele, entre outros profissionais, o elenco e a equipe destacaram a importância cultural, social e econômica da produção. Com cerca de mil pessoas creditadas no projeto, a série também reforça o papel do audiovisual como gerador de empregos e renda no Brasil.

2ª temporada de Cidade de Deus
2ª temporada de Cidade de Deus

2ª temporada de Cidade de Deus e o diálogo sobre milícias e política

Uma das principais mudanças da nova temporada é a ampliação dos temas abordados pela narrativa. Sem abandonar as histórias dos moradores da comunidade, a produção passa a explorar com mais intensidade as relações entre o crime organizado, as milícias e a política, incorporando elementos de thriller político.

O diretor Aly Muritiba explicou que aceitou o desafio consciente da responsabilidade de trabalhar com um universo tão marcante para o cinema brasileiro. Segundo ele, a nova fase apresenta mais ação, aprofunda os relacionamentos entre os personagens e amplia a quantidade de histórias, sem deixar de lado a experiência de acompanhar a vida dentro da comunidade. A proposta é ir além do chamado “favela movie” e investigar como as estruturas de poder se formam e influenciam a sociedade.

Matheus Nachtergaele, que retorna como Cenoura, definiu a experiência como um pequeno milagre e destacou a evolução do audiovisual nacional. Para o ator, voltar a esse universo significa reencontrar um período de muita energia e, ao mesmo tempo, perceber o quanto o setor cresceu. Ele ressaltou que o Brasil já demonstrou sua capacidade de produzir obras relevantes e conquistar o público, tornando o audiovisual uma fonte real de emprego e renda.

Roberta Rodrigues, intérprete de Berenice, também celebrou o reencontro com a personagem, que marcou o início de sua carreira. Mais de vinte anos depois, a atriz considera que a série retrata diferentes momentos do país e apresenta histórias difíceis, mas necessárias. Na nova temporada, Berenice conquista um cargo de vereadora e passa a enfrentar novos desafios, especialmente por ser uma mulher negra em um espaço de poder e por lutar contra uma milícia ligada a interesses políticos.

Buscapé está de volta, que agora é pai!

Alexandre Rodrigues, que volta a interpretar Buscapé, destacou como a franquia transformou a trajetória de artistas e espectadores. Para ele, a arte tem o poder de mudar vidas e histórias, e o retorno do personagem representa uma experiência especial. Na série, Buscapé está mais amadurecido profissionalmente, embora nem sempre tenha controle sobre os caminhos que precisa seguir. O ator também ressaltou os avanços conquistados pela comunidade negra no audiovisual, lembrando que ainda existem barreiras a superar, apesar da projeção internacional alcançada por produções brasileiras.

Outro destaque da coletiva foi Luellem de Castro, intérprete de Leka, filha de Buscapé e personagem que representa a presença da arte dentro da comunidade. A atriz afirmou que se identifica com a relação da personagem com a expressão artística, pois também encontrou na arte uma forma de compreender a própria trajetória. Mulher negra, criada em Duque de Caxias, ela ressaltou que nem todos têm acesso às mesmas oportunidades e considera a personagem um presente por permitir que sua história e suas experiências sejam levadas a um público amplo. Para Luellem, Cidade de Deus continua relevante enquanto o país existir, justamente por estimular questionamentos sobre a sociedade e sobre o futuro que os brasileiros desejam construir.

Sabrina Rosa, por sua vez, destacou a força de Cinthia, uma mãe que acompanha os filhos sendo ameaçados pela violência e luta para protegê-los. Já Andrea Horta explicou que Jerusa representa uma relação preocupante entre interesses individuais, crime organizado e política. Grávida de oito meses durante as gravações, assim como sua personagem, a atriz descreveu a experiência como uma revolução pessoal e destacou que a personagem age principalmente para proteger os próprios interesses e buscar vingança.

Com mais ação, novas perspectivas e uma abordagem política mais evidente, a segunda temporada pretende manter vivo o debate iniciado pelo filme e mostrar que as histórias da comunidade vão muito além da violência.

Eder Pessoa

Primeiro vingador do Cinema e Séries (antigo Cinema e Pipoca) e do Pipocast, sou formado em Jornalismo e também em Locução. Aprendi a ser ‘nerdzinho’ bem moleque, quando não perdia um episódio de Cavaleiros do Zodíaco na TV Manchete ou os clássicos oitentistas na Sessão da Tarde. Além disso, moldei meu caráter não só com os ensinamentos dos pais, mas também com os astros e estrelas da Sétima Arte que me fizeram sonhar, imaginar e crescer. Também sou Redator Freelancer.

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