Os tapetes vermelhos já não falam apenas inglês norte-americano, ou seja, haverá uma transformação no Oscar 2026. Contudo, neste ano teremos apenas uma consolidação dessa transformação que vem se fortalecendo na última década: artistas e produções de diferentes países passaram a ocupar espaço central no cinema internacional. Idiomas como coreano, espanhol, francês, alemão e português aparecem cada vez mais nos grandes eventos e premiações, refletindo uma indústria que amplia seu olhar para além do eixo tradicional de Hollywood.
Um dos marcos dessa mudança foi a vitória histórica de Parasita, dirigido por Bong Joon-ho, que conquistou o prêmio de Melhor Filme no Oscar 2020. Desde então, produções internacionais ganharam destaque e reforçaram a força de narrativas locais no mercado global, como Nada de Novo no Front, de Edward Berger, e Roma, dirigido por Alfonso Cuarón, apontando para um cenário criativo cada vez mais diverso.
Transformação no Oscar 2026 passa pelo Brasil
No Brasil, o movimento também se reflete no aumento das coproduções internacionais. Entre 2015 e 2024, o Brasil realizou 242 obras cinematográficas com coprodução internacional, segundo o estudo da Panorama Coproduções Internacionais Brasil 2015‑2024 – ANCINE. Além disso, essas produções representam 10,4% do total de filmes brasileiros destinados à exibição em salas de cinema.
Para Carla D’Elia, fundadora da Save Me Teacher e especialista em Business English, essa transformação vai além da estética e envolve também comunicação e posicionamento profissional no cenário global.
Segundo a especialista, artistas que se apresentam internacionalmente mantendo sua identidade cultural demonstram que a fluência em inglês pode ser uma ferramenta de expansão, e não de apagamento. Casos como o do ator Wagner Moura (O Agente Secreto) em eventos como o Golden Globe Awards, ou do cantor Bad Bunny no Super Bowl, ilustram esse movimento.
Em um mercado cada vez mais integrado — que envolve cinema, publicidade, moda e música —, dominar a comunicação internacional sem abrir mão da identidade cultural tem se tornado uma estratégia para ampliar oportunidades e conectar histórias locais a audiências globais.
