Já era de se esperar que Terror em Silent Hill – Regresso para o Inferno fosse ser uma grande bomba, a começar por um trailer que continha efeitos especiais de quinta categoria. Contudo, na época, imaginei que haveria um refino técnico e que essa composição não estivesse pronta. Para piorar, os produtores tiveram a cara de pau de colocar em um dos materiais promocionais que a obra seria dirigida pelo “visionário diretor Christophe Gans”.
Gans não é nenhum diretor horroroso, mas está longe dessa alcunha. Em sua filmografia encontram-se os razoáveis O Combate – Lágrimas do Guerreiro (1995) e O Pacto dos Lobos (2001), o primeiro Silent Hill (2006) que é bem honesto e A Bela e a Fera (2014) que não assisti. Mas há um descompasso total por aqui, tanto em questão de direção, quanto de roteiro e montagem, pois o longa não dialoga com os fãs do jogo e não faz a mínima questão explicar as inúmeras pontas soltas para quem ‘caiu de paraquedas’ – se você não entendia, vai continuar da mesma forma quando os créditos finais subires.
E não seria problema algum deixar perguntas sem respostas, mas há necessidade de termos um mínimo de coerência nesses 90 minutos. A atuação de Jeremy Irvine (Cavalo de Guerra) e sua cabeleira que mais parece uma peruca, só não é mais bizarra do que o chroma key que aparece logo nos primeiros takes. Ele faz questão de inserir caras e bocas o tempo todo e, mesmo com poucos diálogos, não consegue gerar qualquer resquício de desespero ou de pânico por dois motivos:
1- não tem material suficiente;
2- é um ator fraquíssimo.
A relação dele com qualquer outro coadjuvante, seja sua namorada, vivida por Hannah Emily Anderson, ou com outros naquele ambiente é inexistente, já que entram e saem sem qualquer motivo aparente.
Terror em Silent Hill – Regresso para o Inferno: já pode ser considerado uma das grandes bombas de 2026
Comparativamente, Godzilla – Minus One foi feito com US$ 15 milhões e faturou o Oscar na categoria Efeitos Especiais, ou seja, pensando que Terror em Silent Hill – Regresso para o Inferno teve orçamento de US$ 23 milhões, havia a possibilidade de entregar algo mais. Porém, as criaturas são borrões daquilo que foi apresentado em 2006 e a cidade é pouco funcional.
Para exemplificar essa bizarrice, existe uma cena onde a garotinha Laura está em cima de um muro e, do mais absoluto nada, ela pula de lá e pede para James, nosso protagonista, segurá-la. Para que? Sei lá. Qual função na trama? Não tenho a menor ideia.
Se o jogo é uma alegoria a todos os traumas e medos de vida daqueles seres humanos, pegaram os profissionais menos sensíveis e, ao que parece, menos talentosos, para transporem esses detalhes. Se eu, que nunca joguei Silent Hill 2 – história sobre a qual o roteiro se baseia -, já saí frustrado, imagino o asco dos fãs, que foram ‘presenteados’ com uma das piores adaptações de games de todos os tempos. E não é nada fácil entrar nessa lista.
Onde assistir Terror em Silent Hill – Regresso para o Inferno?
O filme está em exibição em todos os cinemas do país.
Sinopse de Terror em Silent Hill – Regresso para o Inferno
Quando uma carta misteriosa o chama de volta a Silent Hill em busca de seu amor perdido, James encontra uma cidade outrora reconhecível e se depara com figuras aterrorizantes, tanto familiares quanto novas.
Nota: ½
Título Original: Return to Silent Hill
Ano Lançamento: 2026 (França | Estados Unidos | Reino Unido | Alemanha | Sérvia | Japão)
Dir.: Christophe Gans
Elenco: Jemery Irvine, Hannah Emily Anderson, Robert Strange, Evie Templeton, Pearse Egan, Eve Macklin, Emily Carding
Curiosidades de Terror em Silent Hill – Regresso para o Inferno
- O diretor Christophe Gans confirmou que os monstros foram interpretados por dançarinos e acrobatas, utilizando maquiagem prostética, assim como em Terror em Silent Hill (2006).
- O filme é baseado no jogo Silent Hill 2 (2001), desenvolvido pela Konami.
- Evie Templeton, que interpreta Laura no filme, também é a dubladora da personagem Laura no remake do jogo Silent Hill 2 (2024).
- O filme funciona como uma história independente, não sendo uma sequência direta de Terror em Silent Hill (2006) nem de Silent Hill: Revelação (2012), embora se passe no mesmo universo, seguindo o conceito de antologia da série de jogos.
- O projeto foi anunciado durante a apresentação “Silent Hill Transmission”, da Konami, em outubro de 2022, ao lado de outros quatro jogos da franquia, incluindo o remake de Silent Hill 2.
- Akira Yamaoka, compositor de todos os jogos da série Silent Hill, é responsável pela trilha sonora do filme. Músicas do jogo Silent Hill 2 (2001) também foram usadas como trilha temporária durante a edição.
- A pré-produção de Terror em Silent Hill – Regresso para o Inferno foi um dos fatores que motivaram a Konami a decidir pelo remake de Silent Hill 2, lançado em 2024 e que se tornou o jogo mais bem-sucedido da franquia, com mais de dois milhões de cópias vendidas.
- O diretor revelou que não sabia que Evie Templeton fazia parte do elenco do remake do jogo quando a escalou para o filme, já que a atriz havia assinado um acordo de confidencialidade (NDA) antes da audição.
- Terror em Silent Hill – Regresso para o Inferno foi concluído em 12 de janeiro de 2025.
- Uma sinopse inicial mencionava um personagem chamado “Jacob Crane”, o que gerou diversas especulações entre os fãs sobre sua ligação com personagens e conceitos dos jogos.
- Em uma cena no mirante, o personagem James passa por um quiosque com um mapa turístico baseado diretamente no mapa do jogo Silent Hill 2 (2001).
- O filme foi lançado 20 anos após Terror em Silent Hill (2006).





