
Depois de quatro anos, o diretor Paul Thomas Anderson volta a ativa e nos apresenta o drama distópico Uma Batalha após a Outra, que mexe em tantas feridas e traz um elenco tão afiado que tornou-se o grande favorito às premiações de 2026. Mas não é só isso. Sem desmerecer os outros grandes filmes de Anderson, acredito que ele tenha investido mais energia e vigor por aqui, pois mesmo com quase três horas de duração, é impossível desgrudarmos os olhos da tela.
O roteiro, tirado do livro de Thomas Pynchon e intitulado Vineland, é esperto ao amontoar – no bom sentido da palavra – diálogos poderosos e ser ajudado por uma montagem entrecortada, onde o caos se instaura desde os primeiros takes, visando, além de tudo, o laço familiar. Mesmo assim, temos uma espécie de quebra da figura matriarcal – será que todas as mulheres, de fato, estão preparadas para essa fase da vida?
Bob, vivido por Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street), caminha entre o cômico e o trágico. Ele não tem mais esperança no futuro e, por isso mesmo, se torna um viciado. Temos também o ótimo Benicio del Toro (Sicario – Terra de Ninguém) como o Sensei Sergio St. Carlos e o vilão do ano, interpretado por Sean Penn (Sobre Meninos e Lobos), onde suas ações darão ao espectador um misto de nojo, repulsa e desesperança – mas fica há poucos metros de virar caricato.
As personagens femininas, a trilha sonora e muito mais em Uma Batalha após a Outra
Mas são as personagens femininas que dão voz e vez ao longa. Teyana Taylor (Um Príncipe em Nova York 2) e Chase Infiniti, no primeiro papel da carreira, caminham por espaços caóticos e, em seus diferentes pensamentos e atitudes, nos fazem compreender os motivos delas seguirem lutando contra a opressão, autoritarismo e o fascismo – esse universo te lembra algo?
A trilha sonora pulsante complementa as cenas, principalmente nas reviravoltas e a ambientação, ajudada pela fotografia de Michael Bauman, captura a desolação e a desesperança desértica daqueles espaços. Em Uma Batalha após a Outra, todos sabem que existem pessoas que não se perdem em narrativas absurdas e não se corrompem pelos falsos moralistas e com viés de ceita… mas achá-los é cada vez mais raro. E será que não estamos assim também?
Onde assistir Uma Batalha após a Outra?
Sinopse de Uma Batalha após a Outra
Bob é um ex-revolucionário que tenta levar uma vida tranquila ao lado da filha adolescente, Willa. No entanto, seus esforços para deixar o passado para trás são interrompidos quando o antigo inimigo, o Coronel Steven J. Lockjaw, reaparece.
A ameaça à sua família obriga Bob a encarar novamente a luta que acreditava ter abandonado, trazendo à tona conflitos ideológicos e pessoais. A trama se desenvolve como uma reflexão sobre legado, convicções e a forma como ciclos de violência e enfrentamento tendem a se repetir ao longo do tempo.
Nota: ★★★★½
Título Original: One Battle After Another
Ano Lançamento: 2025 (Estados Unidos)
Dir.: Paul Thomas Anderson
Elenco: Leonardo DiCaprio, Sean Penn, Benicio del Toro, Regina Hall, Teyana Taylor, Chase Infiniti, Alana Haim, Wood Harris, Shayna McHayle, Paul Grimstad
Curiosidades de Uma Batalha após a Outra
- O título do filme vem de um manifesto de 1969 do grupo revolucionário Weather Underground, e trechos desse texto aparecem literalmente nos diálogos do primeiro ato.
- O roteiro de Uma Batalha após a Outra levou 20 anos para ser escrito, segundo o diretor Paul Thomas Anderson.
- Leonardo DiCaprio finalmente trabalhou com Paul Thomas Anderson após ter recusado Boogie Nights (1997) para fazer Titanic, decisão da qual ele já afirmou se arrepender.
- Sean Penn aceitou o papel assim que leu o roteiro e descreveu o personagem como “um presente” para um ator de sua idade.
- É o projeto mais caro da carreira do diretor, com orçamento estimado entre US$ 130 milhões e US$ 175 milhões.
- As filmagens duraram cerca de sete meses e passaram por diversas cidades da Califórnia e também por El Paso, no Texas.
- O longa é o segundo filme do século XXI a ser rodado majoritariamente em VistaVision, formato clássico de grande resolução.
- O personagem Danvers, braço direito de Lockjaw, é interpretado por James Raterman, que não é ator profissional, mas ex-agente federal e consultor de segurança.
- O filme originalmente se chamaria “The Battle of Baktan Cross”, nome da cidade fictícia onde a história se passa.
- A mansão usada como locação já foi a residência de Ronald Reagan quando ele era governador da Califórnia.
- A música “The Revolution Will Not Be Televised”, de Gil Scott-Heron, aparece no filme carregada de referências à cultura dos anos 1960.
- O grupo musical fictício French 75 é interpretado quase inteiramente por músicos reais, incluindo Teyana Taylor e Alana Haim.
- Teyana Taylor improvisou uma fala que cita Tony Montana, e a cena foi mantida por Paul Thomas Anderson.
- Teyana, aliás, realizou todas as suas próprias cenas de ação, sem dublês.
- A cena final de perseguição é uma homenagem a clássicos do cinema como Bullitt, Operação França e Ronin.
- O filme é dedicado à mãe do diretor, Edwina Anderson.
- Esta é a última colaboração entre Paul Thomas Anderson e o assistente de direção Adam Somner, falecido em 2024.
- A personagem Willa tem 16 anos na trama, mas a atriz Chase Infiniti tinha 24 anos durante as filmagens.
- A prisão mostrada na abertura do filme, o Otay Mesa Detention Center, é uma instalação real administrada pelo serviço de imigração dos Estados Unidos.





