O diretor Ken Scott, que já havia trabalhado com temas mais sensíveis, como em De Repente Pai, explora o amor materno e essa linha tênue entre cuidado e protecionismo exagerado no drama/comédia Era Uma Vez Minha Mãe, que chegará amanhã (07) nos cinemas nacionais, distribuído pela California Filmes. Estrelado por Leila Bekhti, Jonathan Cohen, Josephine Japy, Sylvie Vartan, famosa cantora e atriz, que interpreta ela mesma e Jeanne Balibar, é uma obra intimista e que tocará no coração dos espectadores.
Baseado em fatos reais, é impressionante como essa mãe tem traços e atitudes muito reais. O roteiro nos mostra que há fardos maternos que Esther Perez e todas as outras mães do mundo precisam carregar, contudo, nossa protagonista tem um filho que precisa de certos cuidados, pois nasceu com uma deficiência em um dos pés. Ela não aceita o ‘não’ dos médicos quando o assunto é a cura de Roland e passa anos tentando alguém para reverter o caso.
O longa metragem, de 102 minutos, passa pela infância, adolescência e vida adulta de Roland e não espere respostas fáceis para todas as problemáticas levantadas. Era Uma Vez Minha Mãe tem passagens que nos emocionam – olhando até a questão de que, num futuro, estaremos sozinhos e sem aquela que mais nos deu amor e que, de fato, mais nos conhece – e outras que tiram boas risadas.
Era uma vez minha Mãe é uma pequena grande obra
A atuação de Leila Bekhti é explosiva, mas dócil, impactante, mas delicada. Some isso à trilha sonora e essa complexa relação entre Roland, Esther e a cantora Sylvie Vartan e temos um excelente processo de construção de personagens e de personalidades. Será que vale a pena contar toda a história de vida deles para a cantora? Ela irá entender e separar a ‘pessoa física’ e a ‘pessoa jurídica’ do, agora, advogado Roland?
Era uma vez minha Mãe tem muitas passagens semelhantes (principalmente no segundo ato), onde a mãe está sempre fazendo coisas malucas para ter o filho por perto. Isso, às vezes, dá uma cansada, mas nada que tire o brilho dessa pequena grande obra. Foi indicado a duas categorias do César, o ‘Oscar do cinema francês’ e pode ser uma excelente pedida, não só para quem quer sair um pouco do cinemão de Hollywood, mas também para quem deseja presentear a própria mãe, com um filme fraterno e cheio de amor.
Onde assistir Era uma vez minha Mãe?
O filme chega amanhã nos cinemas do país.
Qual a história de Era uma vez minha Mãe?
Roland nasce com uma deficiência em um dos pés, mas desde cedo encontra força no apoio incondicional de sua mãe, Esther. Determinada e afetuosa, ela se torna o pilar que o incentiva a enfrentar desafios e acreditar em suas próprias possibilidades.
Ao longo de sua jornada, Roland passa a perseguir seus sonhos, pessoais e profissionais, com coragem, impulsionado pela confiança que recebe dentro de casa. A relação entre mãe e filho se revela essencial para que ele desenvolva autonomia e encontre seu lugar no mundo, mesmo quando a mãe tem as ideias mais malucas, para tê-lo mais próximo a ela.
Como trilha emocional constante, a presença da cantora Sylvie Vartan surge como um elemento de conforto e inspiração. Sua voz acompanha Roland em momentos importantes, ajudando a transformar dificuldades em esperança.
Nota: ★★★½
Título Original: Ma mère, Dieu et Sylvie Vartan
Ano Lançamento: 2025 (França | Canadá)
Dir.: Ken Scott
Elenco: Leila Bekhti, Jonathan Cohen, Josephine Japy, Sylvie Vartan, Jeanne Balibar, Naim Naji, Milo Machado-Graner, Nina Bouffier, Anne Le Ny, Iliana Belkhadra
Curiosidades de Era uma vez minha Mãe
- O filme foi baseado na obra literária do próprio Roland Perez.
- Foi exibido por aqui no Festival de Cinema Francês do Brasil
- Recebeu duas indicações ao César 2026, nas categorias Melhor Atriz, para Leila Bekhti e Melhor Direção de Arte
- Saiu vencedor do Festival Internacional de Cinema Cinéfest Sudbury 2025, na categoria ‘destaque em produção canadense’
