A Pixar tem em seu currículo obras primas como Toy Story, Up – Altas Aventuras, Wall-E e Ratatouille, só para citar alguns. E quando o novo filme, Elio, nos foi apresentado, com trailers e cartazes, senti certa estranheza, pois não havia aquele traço marcante nos personagens e que sempre foi um dos pontos altos da empresa – e se o protagonista peca nisso, imagine os coadjuvantes.
O roteiro, escrito por Julia Cho, Mark Hammer e Mike Jones, fala sobre pertencimento e sobre o quanto é possível encontrar um lugar e pessoas que, de fato, se importem com você. É neste contexto que conhecemos o garotinho que dá nome a esta animação e, apesar de todas as tentativas, lhe falta o carisma que Miguel (Viva – A Vida é uma Festa) e até mesmo de Luca, que nem é um personagem tão memorável assim.
Os diretores Adrian Molina, Madeline Sharafian e Domee Shi até tentam inserir uma pegada onde a ficção científica e o terror espacial apareçam de forma sutil. Eles conseguem até a segunda página, já que há uma oscilação entre tentar sair do terreno comum e entregar exatamente aquilo que se espera, mas da forma mais preguiçosa possível.
Elio não cria emoção e nem um mundo interessante
Sabe todos os pontos ao fundo em Divertidamente ou mesmo em Monstros S.A., onde objetos tinham funções compreensíveis e brilhantes? Ou aquela cidade que pode ser devastada a qualquer momento por um vilão em Os Incríveis? Cada diretor conseguiu moldar – e muito bem – estes universos, por mais variados e diferentes que fossem. Mas Elio é pobre até nisso.
Falo isso com dor no coração, pois sou um apaixonado pela Pixar, mas se esqueceram de despejar aquela emoção refinada. Entendo que a ideia é sair do ‘ponto A’ e ir até o ‘ponto B’, lidando com diversas situações que, num primeiro momento, parece impossível de conseguir passar. Isso é clichê? Sim. Mas a própria empresa já usou isso a seu favor – e muito bem – dezenas de vezes. Do jeito que está, é uma animação esquecível e sem a aura mágica de antes.
Onde assistir Elio?
Sinopse de Elio
Elio é um garoto de 11 anos, solitário e obcecado por alienígenas, que é acidentalmente transportado para o Comuniverso, uma organização interplanetária, sendo confundido com o embaixador da Terra, tendo que fazer amigos intergalácticos e descobrir seu lugar no universo.
Nota: ★★
Título Original: Elio
Ano Lançamento: 2025 (Estados Unidos)
Dir.: Adrian Molina, Madeline Sharafian, Domee Shi
Dublagem: Yonas Kibreab, Zoe Saldaña, Remy Edgerly, Brad Garrett, Jameela Jamil, Young Dylan, Bradon Moon, Jake Getman, Matthias Schweighöfer, Ana de la Reguera
Curiosidades de Elio
- Quando Elio consulta o Manual Universal de Negociação, o panfleto pergunta se ele deseja promover paz e conexão, exibindo o Saudação Vulcana, criada por Leonard Nimoy em Jornada nas Estrelas (1966).
- A frase associada à saudação, “Vida longa e próspera”, também vem da cultura Vulcana, da mesma franquia citada acima.
- Na garagem do Sr. Melmac, sua camisa traz a Equação de Drake, usada para estimar o número de civilizações inteligentes na galáxia.
- A Equação de Drake ficou mundialmente conhecida graças à série documental Cosmos (1980), criada e apresentada por Carl Sagan.
- Kate Mulgrew, que dá voz à narradora do museu, é famosa por interpretar a Capitã Kathryn Janeway, comandante da nave USS Voyager em Jornada nas Estrelas: Voyager (1995).
- Acima da cama de Elio há um pôster com o número 42, referência direta a O Guia do Mochileiro das Galáxias e este número, no universo criado por Douglas Adams, é “a resposta para a vida, o universo e tudo mais”.
- O nome Elio Solis tem significado duplo ligado ao Sol: “Elio” vem de Hélio, deus grego do Sol, e “Solis” deriva do latim sol.
- Este seria um filme mais autobiográfico, inspirado na infância solitária de Adrian Molina, co-diretor de Viva – A Vida é uma Festa. Essa versão chegou a ter um trailer divulgado em junho de 2023 antes da mudança criativa do projeto.
- Após a mudança de direção criativa da Pixar, Domee Shi e Madeline Sharafian assumiram o comando do filme.
- A capinha do celular de Elio traz o coelho do curta-metragem Toca (2020), da Pixar.
- O clássico easter egg A113 aparece na mochila de Elio como “Área 113”, uma referência tanto à tradição da Pixar quanto à Área 51.
- Adrian Molina baseou vários aspectos de Elio em si mesmo quando criança, incluindo o fato de ter uma mãe militar.
- A arte conceitual original sugeria que o “Outro Elio” seria o antagonista da história.
- Em uma cena após a abdução, os boxers de Elio exibem a clássica bola Luxo Jr., símbolo da Pixar.
- A silhueta da icônica lâmpada Luxo pode ser encontrada formada pelas estrelas, escondida no cenário do filme.
