Depois de A Substância, a Academia resolveu olhar novamente para um bodyhorror e indicou o excelente A Meia Irmã Feia na categoria de Maquiagem e Penteado. Este filme, que é uma coprodução entre Noruega, Polônia, Dinamarca, Romênia e Bélgica, é uma releitura do conto de fadas da Cinderela, sob o olhar das supostas vilãs. Contudo, há camadas profundas para analisarmos por aqui.
A diretora e roteirista Emilie Blichfeldt, que antes havia feito apenas curtas-metragens, lida com uma espécie de criação de sedução das mulheres aos olhos dos homens, independentemente da idade. Essa sexualização pode ser vista, por exemplo, na cena onde o príncipe tem um ‘cardápio’ de garotas para escolher. Elas precisam dançar, se portar como uma dama, se vestir impecavelmente e, por fim, a escolhida deverá ser uma serva daquele homem.
Elvira, vivida espetacularmente por Lea Myren, não se encaixa nesses padrões e, portanto, deve ‘sofrer as consequências’ – esteticamente falando – caso queira uma vida de luxo e riquezas. Por trás disso tudo, há interessados, como empresas farmacêuticas, de alimentos e de cosméticos, só para citar algumas, ou seja, é um ciclo vicioso que nunca se encerra.
A Meia Irmã Feia elenco excelente e situações deliciosamente absurdas
Agnes é linda, radiante e quando chega no castelo com um vestido esplendoroso, toma todos os holofotes para si. Contudo, não é a ‘princesa da Disney’ que todos conhecem, pois também tem pecados que esconde a sete chaves, mas que serão descobertos. A madrasta também é uma interesseira e, a única centrada, de fato, é a irmã mais nova, Alma, vivida por Flo Fagerli.
Fotografia, trilha sonora, figurino e locações são espetaculares e quase toda a dinâmica é excepcional, provando que precisamos ficar de olho nos próximos filmes de Emilie Blichfeldt. Há situações absurdas e divertidíssimas e outras que quase ultrapassam o limite do bom senso, mas é uma forma que a diretora encontrou para se afastar desses contos de fadas conhecidos e se aproximar de algo, de fato, incômodo – vocês vão saber do que estou falando quando assistirem. A Meia Irmã Feia merece ser visto por mais pessoas e não espere um ‘viveram felizes para sempre’.
Onde assistir A Meia Irmã Feia?
Sinopse de A Meia Irmã Feia
Elvira luta contra sua linda meia-irmã, Agnes, em um reino onde a beleza reina suprema. A ideia é conquistar o coração do príncipe, casar com ele e ter uma fortuna nas mãos. Ela recorre a medidas extremas para cativá-lo, em meio a uma competição implacável pela perfeição física.
Nota: ★★★★
Título Original: Den stygge stesøsteren
Ano Lançamento: 2025 (Noruega | Polônia | Dinamarca | Romênia | Bélgica)
Dir.: Emilie Blichfeldt
Elenco: Lea Myren, Ane Dahl Torp, Thea Sofie Loch Næss, Flo Fagerli, Isac Calmroth, Malte Myrenberg Gårdinger, Ralph Carlsson, Cecilia Forss
Curiosidades de Meia Irmã Feia
- A Irmã Feia é a estreia na direção de longas-metragens da cineasta norueguesa Emilie Blichfeldt, que também escreveu o roteiro.
- Antes deste filme, o trabalho de Blichfeldt incluía curtas e projetos para festivais.
- Quando Agnes está ordenhando a vaca, ela está cantarolando a música tema do filme tcheco da Cinderela, Três Desejos para Cinderela (1973).
- Estreia no cinema de Isac Calmroth, que interpreta Prince Julian.
