
A CineOP 2026 (Mostra de Cinema de Ouro Preto) já tem sua programação oficial definida. Considerado o principal evento brasileiro dedicado à preservação audiovisual, história do cinema e educação, o festival acontece entre os dias 25 e 30 de junho de 2026, em Ouro Preto, Minas Gerais, reunindo uma seleção de 135 filmes entre longas, médias e curtas-metragens.
Com o tema “Um país existe nas imagens que preserva”, a CineOP reforça sua missão de valorizar a memória audiovisual brasileira e promover reflexões sobre o papel dos arquivos, da preservação e da formação de público.
Além de pré-estreias nacionais, obras restauradas e sessões educativas, o evento prestará homenagem à cineasta Helena Solberg, uma das figuras mais importantes da história do cinema brasileiro.
CineOP 2026 terá 135 filmes distribuídos em 42 sessões
A programação deste ano reúne:
- 33 longas-metragens;
- 4 médias-metragens;
- 98 curtas-metragens;
- 42 sessões presenciais e online.
Os filmes representam produções de 18 estados brasileiros e de seis países diferentes, ampliando o diálogo entre diferentes culturas, experiências e cinematografias. Entre os estados com maior número de produções selecionadas estão:
- Rio de Janeiro;
- São Paulo;
- Minas Gerais;
- Pernambuco;
- Bahia;
- Paraná;
- Ceará.
Também participam obras da Argentina, Colômbia, Uruguai, Bolívia, Alemanha e Estados Unidos. A diversidade da seleção reforça o caráter plural da mostra, que se consolidou ao longo de mais de duas décadas como um dos principais encontros do audiovisual brasileiro.
Helena Solberg é a grande homenageada da edição
Um dos momentos mais aguardados da CineOP 2026 será a homenagem dedicada à cineasta Helena Solberg. Pioneira do cinema brasileiro e referência internacional quando o assunto é documentário, Solberg construiu uma carreira marcada por obras que discutem questões sociais, políticas e femininas. A sessão de abertura exibirá dois títulos fundamentais de sua filmografia:
A Entrevista (1966)
Considerado um marco do cinema feminista brasileiro, o curta analisa as expectativas da sociedade em relação às mulheres da época.
Meio Dia (1970)
Outro trabalho importante da diretora, produzido durante um período de profundas transformações políticas e culturais no Brasil.
Ao longo da programação também serão exibidos diversos outros filmes da cineasta, incluindo o premiado documentário Carmen Miranda: Bananas Is My Business, lançado em 1995.
Mostra Competitiva reúne cinco longas em pré-estreia nacional
Pelo segundo ano consecutivo, a CineOP apresenta a Mostra Competitiva Contemporânea – Arquivos em Questão. A seleção destaca produções que utilizam imagens de arquivo como elemento central de suas narrativas.
Segundo os curadores, os filmes escolhidos demonstram como os arquivos podem ultrapassar sua função histórica e se transformar em ferramentas criativas de construção estética e política.
Filmes da competição
Proust Palimpsesto: Pastiches e Misturas
Dirigido por Carlos Adriano, o filme parte do único registro audiovisual conhecido do escritor Marcel Proust para discutir as possibilidades de adaptação de sua obra.
Apocalipse Segundo Baby
O documentário acompanha a trajetória de Baby do Brasil desde os Novos Baianos até sua carreira solo.
Universo Circular – Jocy de Oliveira
Retrato da compositora e pioneira da música eletrônica brasileira, que segue em atividade aos 90 anos.
Irritante Prodígio
Filme que mistura memória, autobiografia e performance ao revisitar experiências pessoais da diretora Luiza Lindner.
Notas sobre um Desterro
Produção que utiliza registros familiares para refletir sobre deslocamento, violência e identidade.
O vencedor receberá o tradicional Troféu Vila Rica.
Mostra Contemporânea destaca memória, música e política
A Mostra Contemporânea apresenta diversas produções em pré-estreia nacional que exploram a relação entre memória e arquivo audiovisual. Entre os destaques estão:
Anistia 79
Dirigido por Anita Leandro, o documentário revisita registros históricos ligados à luta pela anistia durante a ditadura militar brasileira.
Fernanda Abreu – Da Lata 30 Anos
Produção que recupera materiais inéditos das gravações de um dos discos mais importantes da carreira da cantora.
Fernando Coni Campos: Cada Um Vive Como Sonha
Filme dedicado ao cineasta responsável por algumas das obras mais experimentais do cinema nacional.
As Dores do Mundo – Hyldon
Documentário sobre a trajetória do cantor e compositor Hyldon.
Vivo 76
Novo trabalho do diretor pernambucano Lírio Ferreira. Além dos longas, a mostra inclui diversos curtas experimentais que investigam temas como patrimônio, mineração, memória cultural e história indígena.
Mostra Preservação apresenta clássicos restaurados
A preservação audiovisual é um dos pilares centrais da CineOP. Em 2026, a Mostra Preservação reúne filmes restaurados e produções que refletem sobre a importância da conservação da memória cinematográfica. Entre os destaques está:
O Ébrio (1946)
Dirigido por Gilda Abreu, o clássico retorna em uma versão restaurada em 4K. O filme completa 80 anos e continua sendo uma das obras mais importantes da história do cinema brasileiro. Também integram a programação:
- Vento Norte;
- Jangada de Ir e Vir;
- A Luta do Povo;
- Os Irmãos Segreto;
- O Filme Infinito.
As obras reforçam a importância dos processos de restauração e preservação para garantir o acesso às produções audiovisuais das gerações futuras.
Educação continua sendo um dos pilares da CineOP
A relação entre cinema e educação segue ocupando papel central no evento.
A Mostra Educação apresenta produções realizadas em contextos escolares e experiências que utilizam o audiovisual como ferramenta pedagógica.
Entre os destaques estão:
Fraternura
Documentário que retrata a trajetória de Frei Betto e sua experiência durante a ditadura militar.
Arquivo Vivo
Produção que revisita décadas do projeto Vídeo nas Aldeias e a importância da preservação da memória dos povos indígenas. As exibições reforçam como o cinema pode atuar como instrumento de aprendizado, reflexão e construção de identidade cultural.
Cine-Expressão leva estudantes ao cinema
O programa Cine-Expressão – A Escola Vai ao Cinema volta a integrar a programação da CineOP. A iniciativa promove sessões gratuitas voltadas a estudantes de diferentes faixas etárias.
Ao todo, serão exibidos 15 curtas-metragens brasileiros, acompanhados por debates e materiais pedagógicos desenvolvidos especialmente para as escolas participantes. O objetivo é estimular o contato dos jovens com o audiovisual nacional e incentivar novas formas de interpretação das imagens.
Mostrinha aposta na animação brasileira
O público infantil também terá espaço garantido na programação. A tradicional Mostrinha exibirá Papaya, primeiro longa-metragem da diretora Priscila Kellen.
A animação acompanha a jornada de uma pequena semente de mamão em busca de seu lugar no mundo. Com visual colorido e proposta sensorial, o filme promete encantar crianças e famílias.
Programação online amplia o alcance do festival
Além das atividades presenciais, a CineOP disponibilizará parte de sua programação gratuitamente pela internet. Através da plataforma oficial do evento, o público poderá acompanhar:
- Filmes selecionados;
- Debates;
- Mesas temáticas;
- Sessões especiais;
- Abertura e encerramento.
A iniciativa amplia significativamente o alcance do festival, permitindo que espectadores de diferentes regiões tenham acesso ao conteúdo.
Por que a CineOP é um dos festivais mais importantes do Brasil?
Ao longo de 21 anos, a CineOP consolidou uma proposta única dentro do circuito audiovisual brasileiro. Diferentemente de outros festivais focados apenas em lançamentos, o evento trabalha simultaneamente três eixos fundamentais:
História
Valorização da memória do cinema brasileiro.
Preservação
Debates e ações voltadas à conservação dos acervos audiovisuais.
Educação
Formação de público e utilização do cinema como ferramenta pedagógica.
Essa combinação transformou a mostra em uma referência nacional e internacional.


