
A Sony, que era detentora dos direitos de Guerreiras do K Pop, deve estar se perguntando: ‘por que não apostei na animação e recusei a oferta da Netflix?’. Agora, o longa metragem dirigido por Chris Appelhans e Maggie Kang acaba de faturar o Critics Choice Awards e vem forte para levar o Globo de Ouro e o Oscar. Mas e aí, será que realmente todo esse estardalhaço faz sentido?
Primeiramente, devo dizer que é uma obra lindíssima, com cores vivas, personagens cativantes e um enredo que, mesmo não sendo nada original, tem ótimos momentos. Em contrapartida, também precisamos frisar que os concorrentes, se comparados com anos anteriores, não têm a mesma força ou o mesmo brilhantismo – acredito que até o próprio Guerreiras do K Pop ficaria em segundo plano, se disputasse em 2024 ou 2025, por exemplo.
Temos, portanto, uma salada bem temperada de referências da cultura sul-coreana, como as canções que grudam na mente, as roupas e coreografias que dominaram a nova geração e, claro, a questão das bandas com integrantes jovens e vestidos de maneira peculiar. Junte isso com demônios que querem dominar o mundo e pronto, temos o nosso roteiro.
Guerreiras do K Pop e suas protagonistas bem estruturadas
Os vilões são qualquer nota, pois o que importa mesmo aqui é o trio de protagonistas (Rumi, Mira e Zoey). Cada uma tem um tempo excelente de tela e uma construção de dramas pessoais contemporâneos, resvalando em questões como pertencimento, amizade, família, a devoção dos fãs, entre outros. Dito isso, quando elas vão para a porrada, há fluidez nas movimentações e ainda mais cores para esse universo.
Bichinhos fofinhos são inseridos aqui e ali, um romance é moldado, a leveza do humor também aparece, mas fica-se devendo no aprofundamento das ideias. Tudo aqui é bastante superficial, mas assim como aquele artista que você ama e já escutou exaustivamente, seguirá cantando as músicas, comprando ingressos para novos shows e acompanhando suas redes sociais.
Onde assistir Guerreiras do K Pop?
Sinopse de Guerreiras do K Pop
Um grupo feminino de K-pop de fama mundial vive dividido entre a rotina intensa sob os holofotes e uma identidade secreta que poucos conhecem: a de caçadoras de demônios. Enquanto lidam com shows, fama e a pressão da indústria musical, elas mantêm em segredo uma missão muito maior do que os palcos.
Tudo muda quando as integrantes percebem que forças demoníacas estão tentando invadir e dominar a Terra. Diante da ameaça, apenas elas são capazes de enfrentar o mal e proteger a humanidade, equilibrando coragem, trabalho em equipe e poder sobrenatural para salvar o mundo.
Nota: ★★★½
Título Original: KPop Demon Hunters
Ano Lançamento: 2025 (Estados Unidos)
Dir.: Chris Appelhans, Maggie Kang
Dubladores originais: Arden Cho, May Hong, Ji-young Yoo, Ahn Hyo-seop, Yunjin Kim, Ken Jeong, Lee Byung-hun, Daniel Dae Kim, Rumi Oak, Joel Kim Booster
Curiosidades de Guerreiras do K Pop
- As guerreiras foram inspiradas em grandes girl groups do K-pop, como ITZY, BLACKPINK e TWICE.
- O conceito das guerreiras do K Pop mistura música pop com folclore coreano, algo raro em produções ocidentais voltadas ao grande público.
- O mundo espiritual apresentado em Guerreiras do K Pop se conecta diretamente à mitologia coreana, incluindo portais de almas e criaturas sobrenaturais.
- O termo Hunmoon significa literalmente “porta da alma” e mostra ainda mais o papel espiritual das protagonistas como protetoras entre dois mundos.
- As personagens femininas fogem do estereótipo de “donzelas em perigo” e assumem posições de liderança, estratégia e combate.
- As coreografias das músicas foram pensadas para parecerem apresentações reais de K-pop, mesmo durante cenas de ação.
- O visual das guerreiras combina figurinos de palco com elementos de combate, criando uma estética híbrida única.
- As integrantes do HUNTR/X cantam músicas que alcançaram simultaneamente o Top 10 da Billboard Hot 100, algo histórico para uma trilha sonora.
- O cenário onde algumas músicas são cantadas é real: o Bukchon Hanok Village, em Seul, famoso por preservar casas tradicionais coreanas.
- A diretora Maggie Kang buscou autenticidade cultural, exigindo que os dubladores fossem coreanos e fluentes em inglês.
- As guerreiras enfrentam inimigos que representam demônios clássicos da cultura coreana, adaptados para o universo pop.
- O grupo rival masculino, Saja Boys, contrasta com as guerreiras ao ser inspirado nos jeoseung saja, figuras da morte no folclore coreano.
- As personagens femininas foram desenhadas para transmitir empoderamento sem perder leveza e humor.
- A produção se inspira tanto em animações coreanas (aeni) quanto em filmes de diretores renomados como Bong Joon-ho (Parasita).
- O sucesso das guerreiras impulsionou o lançamento de produtos oficiais, incluindo lightsticks, roupas e itens de cosplay.
- O filme marcou a estreia de Maggie Kang como diretora, trazendo uma visão feminina e culturalmente rica à animação.
- As guerreiras do K pop se tornaram símbolo de como música, cultura e mitologia podem se unir para criar personagens fortes e memoráveis.





