A lista oficial de filmes indicados ao Oscar 2026 mostra algo raro: variedade real. Tem cinema autoral, grandes estúdios, obras intimistas e projetos que apostam mais em linguagem do que em fórmula. Entre todos, alguns se destacam não apenas como “bons filmes”, mas como experiências cinematográficas completas.
A seguir, cinco títulos que representam o que muita gente chama de absolute cinema — filmes que entendem imagem, ritmo e emoção como parte da mesma engrenagem.
5 filmes indicados ao Oscar 2026 que valem a pena conferir
O Agente Secreto (Brasil)
O cinema brasileiro chega forte ao Oscar 2026 com um filme que não tenta imitar Hollywood. O Agente Secreto aposta no silêncio, na tensão contida e na construção psicológica.
A narrativa se desenvolve mais nos olhares do que nos diálogos. A câmera observa, espera, cria desconforto. É um thriller político que confia no espectador e não entrega respostas fáceis. Cada cena carrega peso histórico e emocional, sem precisar de discursos explícitos.
É o tipo de obra que cresce depois que termina. E quando um filme brasileiro consegue isso em escala internacional, é cinema em estado puro.
Frankenstein
Não é apenas mais uma adaptação. Frankenstein indicado ao Oscar 2026 revisita o clássico com um olhar mais humano e perturbador. Aqui, o monstro não é só uma criatura, mas um reflexo da solidão, da rejeição e do medo do diferente.
Visualmente, o filme é hipnótico. Luz e sombra são usadas como linguagem narrativa, e o ritmo mais contemplativo reforça a tragédia da história. Nada é gratuito. Cada escolha estética conversa com o tema central.
Esse é um daqueles filmes que respeitam o material original e, ao mesmo tempo, criam algo novo. Isso é absolute cinema.
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
Delicado, doloroso e profundamente humano. Hamnet foge da grandiosidade típica do Oscar e aposta na intimidade. O filme não é sobre Shakespeare como mito, mas sobre perda, luto e silêncio dentro de uma família.
A direção prefere planos longos, gestos mínimos e emoções que não são verbalizadas. Tudo é contido, quase frágil. E justamente por isso funciona tão bem.
É cinema que não grita. Que não precisa de reviravoltas. Um filme que entende que, às vezes, a maior força está no que não é dito.
Bugonia
Pelo que vimos na lista liberada pelo portal de cinema, 365 Filmes, entre os indicados, Bugonia é o mais estranho — e talvez o mais ousado. A narrativa brinca com paranoia, sociedade e colapso mental, misturando humor ácido com desconforto constante.
Visualmente inventivo, o filme usa enquadramentos não convencionais e cortes abruptos para colocar o espectador dentro da mente dos personagens. Nada ali é estável, e essa instabilidade é parte da experiência.
O Oscar raramente premia filmes assim, mas quando o faz, costuma ser lembrado por décadas. Bugonia não pede aprovação. Ele existe do jeito que precisa existir.
Valor Sentimental
Se existe um filme que representa o coração do Oscar 2026, é Valor Sentimental. Um drama que poderia ser simples, mas escolhe profundidade emocional no lugar de atalhos narrativos.
A força está nas atuações e na maneira como o roteiro trata memória, relações familiares e o peso das escolhas feitas ao longo da vida. Não há vilões claros, nem heróis perfeitos. Apenas pessoas.
É o tipo de filme que parece pequeno, mas vai crescendo aos poucos, até se tornar impossível de ignorar. Cinema que respeita o tempo do espectador.
Por que esses filmes são absolute cinema?
Porque todos eles entendem que cinema não é só história. É forma, ritmo, silêncio e intenção. Nenhum desses filmes depende exclusivamente de diálogos explicativos ou fórmulas prontas.
O Oscar 2026 tem uma seleção forte, mas esses cinco títulos mostram o cinema em seu estado mais puro: quando a imagem fala, a emoção permanece e o impacto vai além da sessão.
Se a Academia quiser premiar obras que realmente representem o que o cinema pode ser, esses filmes merecem estar no topo.
