
Extermínio chegou em 2002, trazendo consigo um novo tipo de zumbi – os velocistas – e uma estética mais crua e menos ‘hollywoodiana’. Sua sequência, de 2007, foi para o lado da ação e entregou poucas novidades, sendo este o mais fraco da franquia. Após 18 anos tivemos Extermínio – A Evolução, ampliando o escopo deste universo e, por fim, Extermínio – Templo dos Ossos, que segue os acontecimentos do projeto anterior, mas com um vigor próprio.
Danny Boyle sai do comando e entra Nia DaCosta (Hedda e A Lenda de Candyman) e, como comentei acima, a ‘pegada’ e o ritmo são outros. Enquanto A Evolução lidava com um espaço micro daquelas pessoas, em Templo dos Ossos olhamos para o macro e para como as engrenagens voltam naturalmente a rodar (mesmo que, por vezes, anarquicamente), e em como os infectados se adaptam ao longo de décadas.
Alex Garland, roteirista talentoso, explicita que a humanidade pode vir de onde menos se espera e o terror mais brutal está em seres que costumamos chamar de ‘inteligentes’. A infecção, portanto, está na moralidade corrompida de quem usa ‘palavras santas’ para enganar um grupo fragilizado, seja física ou mentalmente – e será que isso é tão distante do que vivemos hoje?
Por outro lado, a interação entre o médico Dr. Ian Kelson (Ralph Fiennes, espetacular) e Sansão, o Alfa daquela redondeza, é tratada com delicadeza. Ou seja, Nia DaCosta nos leva para um drama social, muito mais do que um suspense ou terror. Mas não pense que não há violência – quando ela chega, é graficamente bem feita.
Extermínio – Templo dos Ossos poucos deslizes e acertos infinitos
Ao fim do terceiro filme, achei a inserção daquela ‘gangue com roupas coloridas’ um tanto destoante de todo resto. Aqui, a história deles continua e se aprofunda, mas nem todos com as características e motivações bem moldadas, além disso, o garotinho Spike (Alfie Williams) também perde espaço, virando quase um coadjuvante de luxo.
Estes são pequenos deslizes dentro de um longa metragem que conta também com locações espetaculares, uma fotografia – seja noturna ou diurna – de encher os olhos e a entrega total de Ralph Fiennes – fique atento em sua interpretação de The Number of the Beast, do Iron Maiden… um deleite. Extermínio – Templo dos Ossos é, acima de tudo, um estudo complexo de relações, com a densidade que a nossa sociedade atual necessita, mas será que estamos prontos para recebê-lo?
Onde assistir Extermínio – Templo dos Ossos?
O filme está em exibição em todos os cinemas do país.
Sinopse de Extermínio – Templo dos Ossos
O Dr. Kelson se vê envolvido em um novo e chocante relacionamento com consequências que podem mudar o mundo como ele o conhece. Enquanto isso, o líder de uma seita Jimmy Crystal instiga medo e violência por onde passa.
Nota: ★★★★
Título Original: 28 Years Later: The Bone Temple
Ano Lançamento: 2026 (Reino Unido/Estados Unidos)
Dir.: Nia DaCosta
Elenco: Jodie Comer, Aaron Taylor-Johnson, Jack O’Connell, Ralph Fiennes, Joe Blakemore, Alfie Williams, Celi Crossland, Geoffrey Newland
Curiosidades de Extermínio – Templo dos Ossos
- O cenário de Extermínio – Templo dos Ossos foi construído com cerca de 5.500 crânios e 150.000 ossos, todos moldados individualmente para as filmagens.
- Esses ossos foram fixados em aproximadamente 1.000 colunas verticais, chamadas de uprights, criando a estrutura monumental do templo.
- A narração do trailer utiliza a voz do escritor e futurista Arthur C. Clarke, retirada de sua participação no programa da BBC Horizon, de 1964.
- Jack O’Connell descreveu o filme como o “primo estranho e perturbado” do longa anterior da franquia.
- Assim como em Extermínio (2002), os infectados foram filmados com ângulos de obturador ajustados, dando a eles movimentos mais erráticos e agressivos.
- O filme foi rodado em sequência direta com seu antecessor, aproveitando sets, equipe e planejamento.
- A produção foi anunciada como parte de uma trilogia, com Alex Garland como roteirista dos três filmes.
- Em janeiro de 2025, Danny Boyle confirmou que dirigirá o filme final da trilogia.
- A diretora Nia DaCosta afirmou que não tentou copiar o estilo visual de Danny Boyle.
- Segundo DaCosta, o elo entre os filmes está no fato de ambos serem “insanos, idiossincráticos e artisticamente pessoais”.
- Samson é visto colhendo amoras, o que ajuda a situar a história entre setembro e outubro.
- Erin Kellyman e Jack O’Connell treinaram atuação no mesmo local: o Nottingham Television Workshop.
- Logo no início do filme, Samson come o cérebro de um homem, em referência direta ao estereótipo clássico dos zumbis. Essa ideia surgiu com o filme A Volta dos Mortos-Vivos (1985), e não com George A. Romero.





