Mobilidade urbana em Brasília vira retrato de desigualdade e sobrevivência em “Caôs Urbanos”

A mobilidade urbana em Brasília ganha destaque em Caôs Urbanos, série inédita dirigida por Cássio Oliveira, que estreia no Canal Brasil no domingo, 4 de outubro, às 19h. Dividida em quatro episódios, a produção acompanha diferentes regiões administrativas do Distrito Federal durante uma greve geral do transporte público, provocada pelo assassinato de um motorista de ônibus durante um assalto. Em meio ao caos, três personagens centrais atravessam disputas de poder, conflitos pessoais e estratégias de sobrevivência enquanto a cidade tem seus fluxos interrompidos.

Caôs Urbanos propõe uma visão além do Plano Piloto

A série propõe um olhar que ultrapassa a arquitetura monumental do Plano Piloto para retratar cidades e regiões onde vivem e trabalham milhares de moradores do Distrito Federal e do entorno. Para o diretor Cássio Oliveira, essa perspectiva também nasce de sua própria experiência como migrante maranhense, que viveu em cidades como Valparaíso de Goiás, Samambaia e Santa Maria.

Segundo ele, observar a mobilidade permite compreender como Brasília se organiza em diferentes cinturões e como o planejamento urbano convive com uma forte segregação entre o centro e as áreas periféricas.

Greve expõe disputas e conflitos

No decorrer da trama, Nonato e Serjão, integrantes do sindicato dos rodoviários, entram em rota de colisão, enquanto Giovanna, herdeira de um poderoso empresário do transporte público, assume os negócios da família e se depara com relações controversas que sustentam o império do pai. Paralelamente, Maurício e Dona Rosa cuidam da pequena Laila durante a ausência da mãe.

A paralisação aproxima personagens de universos distintos e desencadeia uma sequência de conflitos: jovens ativistas realizam uma ação política dentro de um ônibus, o movimento ganha repercussão nas redes sociais e as tensões entre sindicato, empresários e poder público se intensificam.

Brasília entre o centro e as periferias

Nos dois episódios finais, a greve se amplia e o colapso do transporte transforma definitivamente a rotina da cidade. Enquanto Nonato enfrenta conflitos dentro e fora de casa, Giovanna sofre consequências judiciais relacionadas aos negócios do pai e Estela se torna alvo das autoridades após a repercussão da ação política.

As filmagens percorrem diferentes pontos do Distrito Federal, incluindo Plano Piloto, Recanto das Emas, Taguatinga, Vicente Pires, Vila Planalto, Lago Sul, Lago Norte, Cidade do Automóvel e Arniqueiras. A produção também chegou ao entorno de Goiás, com gravações em Valparaíso e Novo Gama, reforçando a proposta de mostrar uma Brasília que vai muito além do centro político e administrativo.

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