Críticas

Eu não te Ouço | Resenha | Vale a pena assistir?

Eu não te Ouço é um filme simples, mas não simplista e tem uma data de lançamento muito coerente, já que neste ano de 2026 teremos eleições e, certamente, veremos muitas figuras como a do caminhoneiro e também do patriota, que não desgruda da frente daquele caminhão, mesmo correndo risco de vida. Tão próximos, mas tão distantes ao mesmo tempo. E essa é a principal reflexão levantada pelo longa metragem, dirigido por Caco Ciocler.

O diretor molda uma narrativa documental, com os personagens falando para um entrevistador e o tom nonsense muitas vezes permeia os 70 minutos da obra. Ninguém cita o nome de Lula ou Bolsonaro, Dilma ou Temmer, mas vamos ser coerente, nem seria preciso. Temos aqui democratas contra antidemocráticos, com trejeitos bem permeados, já que o primeiro parece ter medo de se posicionar, enquanto o outro berra para os quatro cantos sobre as muitas ‘bolsas’ que o povo precisa (e não deveria) ter para sobreviver.

É provável que inúmeros diálogos tenham sido inseridos pelos próprios atores, e isso ajuda na construção da trama. Ao mesmo tempo, o diretor trabalha bem os poucos ângulos de câmera possíveis, com alguns zoom in ou zoom out e esse tom teatral, que se intensifica com a figura do já citado entrevistador que, vez ou outra, joga questões, como “você poderia conversar com ele para entendê-lo melhor“…. recebendo sempre uma sonora negativa, tanto de um lado quanto de outro.

Eu não te Ouço e a separação por um vidro

Em Eu não te Ouço, os personagens estão separados pelo vidro do caminhão e enquanto um gesticula o outro entende o que quiser. Essa dificuldade atual de comunicação é agravada com as redes sociais e os algoritmos, que potencializam as falas e as ‘bolhas’ onde esses cidadãos estão inseridos. Mas como driblar tudo isso? Como parar o caminhão e trocar essa ideia de forma amigável? A impressão que dá é que nem mesmo o roteiro tem essa resposta – e talvez eles nem tinham a pretensão disso.

A repetição de situações pode cansar um pouco – em mais de um momento o motorista diz que irá parar o caminhão, mas não o faz -, mas esse road movie (podemos chamá-lo assim?) prova que o povo brasileiro não quer sair do ‘ponto A’ e indo para o ‘ponto B’, mas permanecer dirigindo em círculos, pois o importante é estarem certos e fazerem com que os outros acreditem no seu ponto de vista, ao invés de ter um foco mais amplo e votar para diminuir fome, desigualdade, desemprego e etc, mesmo que seja aos berros.

Eu não te Ouço
Eu não te Ouço

Onde assistir Eu não te Ouço?

O filme estreia amanhã (14) nos cinemas de todo Brasil.

Qual a história de Eu não te Ouço?

Dois brasileiros se encontram por acaso em um momento comum do cotidiano, sem imaginar que esse breve cruzamento de caminhos irá desencadear uma jornada inesperada. O encontro, inicialmente casual, logo se transforma em um convite ao desconhecido, levando os dois a seguirem juntos por situações fora do habitual.

À medida que avançam nessa trajetória peculiar, surgem desconfortos e tensões que os obrigam a lidar não apenas um com o outro, mas também com suas próprias visões de mundo. O percurso compartilhado vai revelando contrastes de personalidade e diferentes formas de encarar a realidade.

Nesse processo, a jornada acaba funcionando como um espelho de uma sociedade marcada pela dificuldade de diálogo e compreensão mútua. Entre encontros e desencontros, a história expõe, de forma sutil e humana, fragmentos de um país em que ouvir o outro se tornou um desafio constante.

Nota: ★★★½

Título Original: Eu não te Ouço
Ano Lançamento: 2025 (Brasil)
Dir.: Caco Ciocler
Elenco: Marcio Vito

Eder Pessoa

Primeiro vingador do Cinema e Séries (antigo Cinema e Pipoca) e do Pipocast, sou formado em Jornalismo e também em Locução. Aprendi a ser ‘nerdzinho’ bem moleque, quando não perdia um episódio de Cavaleiros do Zodíaco na TV Manchete ou os clássicos oitentistas na Sessão da Tarde. Além disso, moldei meu caráter não só com os ensinamentos dos pais, mas também com os astros e estrelas da Sétima Arte que me fizeram sonhar, imaginar e crescer. Também sou Redator Freelancer.

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