4º Mostra Amor ao Cinema terá 52 filmes e celebra clássicos do cinema

Consolidada na programação cultural de São Paulo, a 4ª Mostra Amor ao Cinema chega à sua quarta edição entre 9 e 26 de setembro, com sessões no CineSesc e exibições online para todo o Brasil pela plataforma Sesc Digital. Ao todo, são 52 filmes, entre clássicos e inéditos, divididos em dois eixos curatoriais: Filmes sobre Cinema, dedicado a obras que investigam os bastidores da produção audiovisual e a cultura cinematográfica, e Filmes de Ruptura, com títulos que desafiaram convenções narrativas, estéticas e sociais. A programação também inclui o tradicional CineClubinho, uma sessão comentada sobre a pornochanchada, com participação da diretora Fernanda Pessoa, além de apresentações especiais.

Programação da 4º Mostra Amor ao Cinema

A edição de 2026 coloca em diálogo diferentes gerações, linguagens e perspectivas do audiovisual. Segundo a equipe de curadores, desde a primeira edição, realizada em 2023, a mostra investiga de que maneira os filmes refletem a própria linguagem cinematográfica, seja quando transformam o cinema em tema, seja quando rompem com padrões narrativos e estéticos. Neste ano, a proposta amplia esse olhar para produções que desafiam formatos e perspectivas. A abertura acontece em 9 de setembro, às 20h, no CineSesc, com A História dos Documentários: Introdução, de Mark Cousins, exibido com repercussão em Cannes e ainda inédito no Brasil. Conhecido também por A História do Cinema: Uma Nova Geração, presente na programação, Cousins percorre a evolução do documentário, recuperando filmes fundamentais e obras menos conhecidas para mostrar como o gênero se tornou uma ferramenta para observar e interpretar o mundo. A sessão de abertura é gratuita, com retirada de ingressos uma hora antes, sujeita à lotação.

No eixo Filmes sobre Cinema, a programação reúne obras que utilizam a metalinguagem para refletir sobre o próprio audiovisual e questionar os limites da criação cinematográfica. Entre os destaques estão Arquivo Vivo, de Vincent Carelli e Ana Carvalho; Os Diários de Ozu, de Daniel Raim; Filmar ou Morrer, de Lúcia Nagib; Para Vigo Me Voy, de Lírio Ferreira e Karen Harley; Milton Gonçalves, Além do Espetáculo, de Luiz Antonio Pilar; Cinéma Laika, de Veljko Vidak; e A Negação do Brasil, de Joel Zito Araújo. A seleção também apresenta ficções que exploram o cinema por dentro, como Ladrões de Cinema, de Fernando Coni Campos; Na Teia da Aranha, de Kim Jee-woon; e Amador, de Krzysztof Kieslowski. O recorte ainda inclui títulos como Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes; Primavera para Hitler, de Mel Brooks; The Watermelon Woman, de Cheryl Dunye; e Blow-Up – Depois Daquele Beijo, de Michelangelo Antonioni.

4º Mostra Amor ao Cinema

Já o eixo Filmes de Ruptura reúne produções que romperam padrões em diferentes períodos da história do cinema. A seleção passa pelo surrealismo de Luis Buñuel, com Um Cão Andaluz e A Idade do Ouro, e de Niki de Saint Phalle, com Um Sonho Mais Longo Que a Noite, além do registro político de Primárias, de Robert Drew, da experimentação de Claire Denis em Desejo e Obsessão e do marco do cinema africano A Garota Negra, de Ousmane Sembène. Entre os clássicos estão Quando Fala o Coração, de Alfred Hitchcock, Metrópolis, de Fritz Lang, e O Encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein. Este último terá duas exibições: uma delas com a ambientação musical criada pela dupla britânica de synth-pop Pet Shop Boys, inédita no Brasil, e outra com a trilha sonora de 1976, construída a partir de trechos das sinfonias de Dmitri Shostakovich. O cinema brasileiro também ganha espaço com Alma no Olho, de Zózimo Bulbul, e Limite, de Mario Peixoto, enquanto títulos como Eles Vivem, de John Carpenter, As Pequenas Margaridas, de Věra Chytilová, A Mulher Sem Cabeça, de Lucrecia Martel, e Uma Mulher Sob Influência, de John Cassavetes completam o panorama.

A quarta edição ainda homenageia o cineasta underground norte-americano John Waters com Polyester. A sessão reproduz a experiência criada para o lançamento original do longa, quando o público recebia uma cartela Odorama e era convidado a liberar diferentes aromas nos momentos indicados durante a projeção, transformando a exibição em uma experiência sensorial. Outro homenageado é o diretor brasileiro Fernando Coni Campos, celebrado com Ladrões de Cinema, considerado uma das obras mais originais da cinematografia nacional por sua abordagem metalinguística e inventiva, além do documentário Fernando Coni Campos: Cada Um Vive Como Sonha, de Luís Abramo e Pedro Rossi. Entre as atrações especiais, a Sessão Comentada de Histórias que Nosso Cinema (Não) Contava contará com a participação de Fernanda Pessoa em um debate sobre a pornochanchada, gênero importante da produção brasileira e que continua provocando discussões sobre comportamento, censura e mercado. Para o público infantil, o CineClubinho apresenta as animações francesas Maya, Me Dê um Título, de Michel Gondry, construída a partir das sugestões da filha do diretor, e Príncipes e Princesas, de Michel Ocelot, que reúne seis fábulas narradas por meio do teatro de sombras e centradas em diferentes formas de amor.

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